O PseudoAutor

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Baiano nascido numa tarde de julho de 1991. Agnóstico e hipster, estudante de História, apaixonado por simbologias, mitologias e animais pré-históricos.

Escreve amadoramente desde 2007; após alguns anos e quase trinta livros rascunhados, Alec publicou uma coletânea de histórias curtas (Zarak, o Monstrinho, Multifoco, 2011), um conto numa antologia sobre répteis cuspidores de fogo (Dragões, Draco, 2013) e um romance autobiográfico fantástico (A Guerra dos Criativos, independente, 2013), além de algumas obras virtuais na Amazon.

Atualmente se divide em pesquisas para projetos literários e coordenação editorial de um selo independente.

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A mania de seguir a moda ou a moda de seguir a mania

Hoje eu estava em algumas conversas com amigos escritores, e numa dessas, um deles comentou que depois do fenônemo Harry Potter, muita gente resolveu ser escritor. Concordei, é claro, pois bem me lembro de alguns casos de jovens escritores (alguns mais novos ou mais velhos do que eu poucos anos) que diziam se inspirar na série de livros de J. K. Rowling para começarem a escrever.

E podemos ir mais além, quando vemos Christopher Paolini, com seu Ciclo da Herança, cujo primeiro livro, Eragon, foi criticado por ter falta de originalidade em alguns pontos, como a jornada do herói lembrar muita a que foi contada em O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, e Star Wars, série de filmes de George Lucas, que confessa ter se inspirado nos livros tolkienianos (e há semelhança também com Duna, de Frank Herbert). E assim os dragões voltaram a reinar.

Seguindo, deparamo-nos com a série Percy Jackson e os Olimpianos, de Rick Riordan, inspirada na mitologia grega. Há a acusação de imitar a série da Rowling. Depois surge a horrível série de Stephenie Meyer, Crepúsculo, e os vampiros ganham o ar da (des)graça po todos os lados. A seguir vem Jogos Vorazes, de Suzanne Collins, Sangue Quente, de Issac Marion...

Enfim, bruxos, dragões, reinos em terras mágicas, guerras maniqueístas, mitologia grega, vampiros, lobisomens, zumbis... E todos os exemplos citados acabaram se tornando (ou se tornarão) filmes, com ou sem o sucesso esperado.

E dentre milhões de leitores, alguns (dezenas, centenas ou milhares) se inspiraram em suas histórias de sucesso para se iniciarem como escritores ou os que já são aspirantes retomarem seus escritos ou escreverem sobre o tema, numa esperança de alcançar algum sucesso com a moda.

Acho curioso que obras como a detestável saga da Meyer sejam necessárias para tornar visível uma criatura que há milênios apavora o imaginário popular, que possui excelentes representantes em Drácula, de Bram Stoker, em A Hora do Vampiro, de Stephen King, nos livros de André Vianco, que há anos escreve sobre este mundo de sangue e trevas. Falando nisso, ainda não li um livro sequer dele por causa desta moda chata de vampiros, que provocou um estouro de livros sobre o tema.

Os zumbis fizeram muito sucesso em décadas passadas, e bastou uma série televisiva fazer sucesso para a moda tomar conta da literatura, sendo o livro Sangue Quente um dos produtos de gosto duvidoso da nova onda.

Os alienígenas não tiveram muita sorte, apesar de aparecerem em Cowboys & Aliens e outros títulos ufológicos, embora ora ou outra consiga algum destaque.

Claro que seria hipocrisia de minha parte querer criticar quem gosta desses temas ou de escrever sobre eles, mas vai minha opinião aos que estão começando, aos que se deixam influenciar pelo que está na moda no momento: pense bem no futuro, pois hoje são vampiros e zumbis, amanhã podem ser fadas e aliens ou qualquer outra coisa.

Há casos de editoras que se recusam a avaliarem livros sobre alguns temas, de tão massantes e enjoativos que se tornaram.

Eu não sou um escritor convencional, com um estilo determinado, com um gênero definido, apesar de preferir muito mais a literatura fantástica e a maravilhosa, em especial a fantasia, com seus mundos inóspitos e mágicos, as batalhas entre homens e monstros, aquele ar pulp que pouco se vê hoje em dia. Não me lembro de ter me agarrado a uma moda para escrever depois de conseguir criar a história sobre dinossauros anos atrás, baseando-me em Jurassic Park e Dinotopia.

Enfim, é o que penso... e como tudo o que penso, pode ser facilmente ignorado.

Por que raios escrever mesmo?

Bem, como mencionei numa postagem anterior, criei este blog unicamente para expressar algumas opiniões e escrever para desabafar, sem querer me parecer superior a ninguém e nem difamar, como ocorre em alguns espaços. Então, permita-me fazer isso, não?

Pensando sobre o fenômeno espantoso de escritores surgindo, das mais diversas idades, dos mais variados gêneros, em todo o globo, pergunto-me os motivos de eu apreciar escrever, de querer fingir ser escritor. Devo levar em conta que o máximo contato que possuía com a literatura derivava dos próprios livros que conseguia ter acesso raramente, dos gibis da Turma da Mônica ou da Disney. E os filmes. Sim, aqueles filmes de aventura e fantasia que a Rede Globo, o SBT, a Bandeirantes e a Rede Record mostravam em suas tardes ou noites, que algumas vezes conseguia assistir graças aos geradores de energia elétrica das fazendas ou a distribuição da rede elétrica, depois de anos de espera.

Enfim, algo me deu a ânsia de querer escrever, de criar um livro completo, com início, meio e fim. Planejamentos todos os anos, tentativas infrutíferas. Nem sei bem quantos cadernos jogados fora, quantas folhas rasuradas na tentativa de conceber algo que nem sabia o que era. Minha maior fonte de inspiração era o filme Jurassic Park (ou O Parque dos Dinossauros), pois desde moleque há em mim uma fascinação por animais pré-históricos, em especial os dinos (que acreditava serem seres fabulosos, assim como os dragões, que também sou admirador).

Aí veio os livros que lentamente vou apresentando por aqui, praticamente todos voltados para o fantástico e o fabuloso, alguns contos e noveletas, centenas de poesias (houve um período, entre 2004 e 2006, antes de Ariane, que foram quase mil títulos poéticos, preenchendo meia dúzia de cadernos, os quais queimei numa crise depressiva), rabiscos de roteiros e outros textos que não me recordo.

Fui aprendendo com as aulas de Redação e Língua Portuguesa as regras para me fortalecer como escritor, adquirindo conhecimento necessário para prosseguir. As aulas de História eram úteis para me mostrar que é no passado, em épocas remotas, que se encontra as grandes aventuras que devem ser contadas, o que explica o por quê de mais da metade de meus livros se passarem em civilizações antigas, como a grega, ou em similares.

Apenas quando, em 2008, resolvi adentrar o meio literário e tentar publicar, com aquele sonho inocente ainda intacto e me impedindo de enxergar as dificuldades, fui entrando em contato com outros autores, com a quantidade imensa de livros, de gêneros, de subgêneros, de possibilidades, de editoras... E comecei a garimpar o que pretendia com minhas obras modestas, que começavam a fazer sucesso entre os amigos da cidade, os colegas do colégio, que me pediam emprestado os manuscritos para lerem.

Passei por muitas coisas, as quais talvez numere futuramente neste espaço, algumas que abalaram profundamente tudo em que eu acreditava, minha forma de ver a literatura. Teve vezes que escrever era uma tortura; noutras era como aliviar uma dor. Se a vontade de escrever não aparecia, dedicava-me a ler. Mas, bem, sempre tive a literatura ali presente para me consolar e mostrar o próximo passo.

Creio que eu escreva porque seja a única coisa que possuo grande liberdade, afinal, quando se é um autor marginal, que se atreve a falar o que pensa, as consequências arcadas não são nada além de escrever aquilo que gosta, mesmo podendo abrir mão de provavelmente não ver suas ideias publicadas. Fantasia, horror, romance, aventura, drama, poesia, temas eróticos, humor, suspense... Há uma gama imensa de coisas que sou capaz de escrever com mais sucesso ou não, e me sinto bem, muito bem.

O valor de escrever está muito mais na tarefa de começar uma ideia e chegar ao final dela, com aquela tranquilidade de ter a consciência limpa, de dever cumprido. E ver as pessoas que leem sua obra, seja virtual, impressa como um arquivo qualquer ou manuscrita, comentando seu trabalho, bem, é a melhor recompensa depois de um dia exaustivo.

E apenas isso, para mim, a tarefa de arquivar mais um manuscrito em alguma caixa quando estiver pronto, aguardando alguém que possa ler sem compromisso, é um dos três motivos principais. O segundo é poder expressar aquilo que sinto, desabafar sem parecer chato, escrevendo nas entrelinhas... E o terceiro motivo, bem, é um pouco mais complicado.

Um conselho de um escrevinhador aos jovens autores

Acho muito interessante o número de coisas que descobri quando adentrei o meio literário (isso lá no longínquio ano de 2008), ainda no esquecido Orkut. Autores, gêneros literários, escritores, livros, editoras, concursos literários, antologias, coletâneas, sites e blogs, clubes, grupos de discussão, premiações... Recordo-me dos golpes que sofri para aprender a tomar cuidado; lembro-me de algumas editoras (e que creio que alguns de meus leitores e visitantes também conheçam alguma coisa) que surgiram com propostas revolucionárias e acabaram se tornando poços de decepções e confusões (e, coincidentemente, estive prestes a publicar em duas delas, sendo a última uma que eu acreditava muito no potencial, meu primeiro livro, Ariane).

Hoje, mais cedo, enquanto mexia na estrutura bagunçada deste novo blog, no qual pretendo escrever somente alguns textos avulsos acerca de minha paixão pela escrita, fucei alguns espaços que se dispõem a três coisas curiosas: 1) dar dicas aos novos autores, desde como escrever um livro a como divulgar o livro pronto, publicado e tudo mais; 2) divulgar novos autores e reuni-los num espaço para troca de conhecimento e permitir a eles e aos leitores um contato mais próximo; e 3) revelar o lado negro da literatura fantástica nacional.

Fico um pouco intrigado com a inclinação dos jovens pelo fantástico, sobretudo após a leitura de livros que estão "na moda", como Harry Potter, O Senhor dos Anéis (mesmo sendo um clássico de décadas passadas), Crepúsculo, Jogos Vorazes e outros que não me recordo agora. Não, não tenho nada contra esses livros (exceto o da Meyer, que é um lixo) e nem contra quem se inspira neles para escrever, pois é algo legal.

Mas, permita-me, como um humilde aprendiz de escrevinhador, esboçar alguns parágrafos acerca do que acredito ser necessário para se fazer um escritor. Não é um sermão, mas minha opinião e excassa experiência do que vivi e testemunhei para conseguir chegar a um ponto que me considero capaz de escrever algo decente.

Desde muito cedo, nos primeiros anos de moleque analfabetizado, sempre gostei das letras e das possibilidades que elas ofereciam. Poesias. Sim, comecei por elas, em versos pobres, quadras tão simples e bobas. A seguir veio o interesse pelas fábulas e textos breves, mas nada daquilo foi mais intenso do que o desejo de escrever um livro.

Por viver parte da vida em fazendas, sempre fui obrigado a usar minha imaginação para me divertir com meus brinquedos, dedicando-me a elaborar roteiros para passar os dias brincando. E o gosto pela escrita se aliou a uma fantasia fértil para surgir a necessidade de registrar isso num caderno.

Anos e anos treinando, baseando-me no clássico filme de Steven Spielberg, Jurassic Park. Rabisquei mais folhas e cadernos buscando criar a trama, mas sem o menor resultado. Obtive, umas duas ou três vezes, entre 2003 e 2004, algum resultado, sendo que o primeiro deles se encontra num colégio público de Luís Eduardo Magalhães (Bahia); tentei recuperar o original valioso, pelo valor simbólico e emocional, contudo ainda não consegui (por ninguém saber seu paradeiro em meio a milhares de livros na biblioteca a qual doei o caderno de umas 50 folhas).

Mas, foi em 2007, entre 15 e 16 anos, que veio a obra primordial de minha carreira de pseudoescritor, a já mencionada obra Ariane. Depois vieram os demais.

Bem, o que quero deixar aqui esclarecido é que ser escritor não é apenas escrever um livro e pronto. Não. Envolve muito mais. Pesquisa, noites e dias perdidos em pesquisa tão intensa que a cabeça parece explodir. É o autor se dedicar e se comprometer a fazer de sua obra um filho, dando-lhe todos os cuidados precisos para o seu desenvolvimento, como releituras, acréscimos, cortes, zelo... Nunca, no primeiro livro concluído, deve-se contentar com o resultado obtido de imediato, pois, como aprendi, apenas após 3 anos ou 12 livros depois se alcança um patamar melhor de escrita.

É por isso que não acho que um garoto ou uma garota que tenha 15 ou 16 anos possa ter consciência que seu livro está perfeito para ser publicado. Seria um tiro no pé. Claro que tem exceções, e eu poderia numerar algumas, mas é questão de dedicação e talento latente, que desperta e faz os gênios e os artistas.

Ter um blog, manter contato com leitores e outros autores e ter consciência de que a jornada é mais longa e árdua significa dar o primeiro passo, buscar se aprimorar não apenas como autor, mas como leitor e cidadão. Afinal, a molecada que começa a despontar por aí, escrevendo e divulgando textos, ainda é jovem e tem muito pela frente; então, dá para desacelerar e aprender muito para não ver seus sonhos destruídos logo de cara, seja pela crítica especializada ou por um blog qualquer.