O PseudoAutor

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Baiano nascido numa tarde de julho de 1991. Agnóstico e hipster, estudante de História, apaixonado por simbologias, mitologias e animais pré-históricos.

Escreve amadoramente desde 2007; após alguns anos e quase trinta livros rascunhados, Alec publicou uma coletânea de histórias curtas (Zarak, o Monstrinho, Multifoco, 2011), um conto numa antologia sobre répteis cuspidores de fogo (Dragões, Draco, 2013) e um romance autobiográfico fantástico (A Guerra dos Criativos, independente, 2013), além de algumas obras virtuais na Amazon.

Atualmente se divide em pesquisas para projetos literários e coordenação editorial de um selo independente.

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Um conselho de um escrevinhador aos jovens autores

Acho muito interessante o número de coisas que descobri quando adentrei o meio literário (isso lá no longínquio ano de 2008), ainda no esquecido Orkut. Autores, gêneros literários, escritores, livros, editoras, concursos literários, antologias, coletâneas, sites e blogs, clubes, grupos de discussão, premiações... Recordo-me dos golpes que sofri para aprender a tomar cuidado; lembro-me de algumas editoras (e que creio que alguns de meus leitores e visitantes também conheçam alguma coisa) que surgiram com propostas revolucionárias e acabaram se tornando poços de decepções e confusões (e, coincidentemente, estive prestes a publicar em duas delas, sendo a última uma que eu acreditava muito no potencial, meu primeiro livro, Ariane).

Hoje, mais cedo, enquanto mexia na estrutura bagunçada deste novo blog, no qual pretendo escrever somente alguns textos avulsos acerca de minha paixão pela escrita, fucei alguns espaços que se dispõem a três coisas curiosas: 1) dar dicas aos novos autores, desde como escrever um livro a como divulgar o livro pronto, publicado e tudo mais; 2) divulgar novos autores e reuni-los num espaço para troca de conhecimento e permitir a eles e aos leitores um contato mais próximo; e 3) revelar o lado negro da literatura fantástica nacional.

Fico um pouco intrigado com a inclinação dos jovens pelo fantástico, sobretudo após a leitura de livros que estão "na moda", como Harry Potter, O Senhor dos Anéis (mesmo sendo um clássico de décadas passadas), Crepúsculo, Jogos Vorazes e outros que não me recordo agora. Não, não tenho nada contra esses livros (exceto o da Meyer, que é um lixo) e nem contra quem se inspira neles para escrever, pois é algo legal.

Mas, permita-me, como um humilde aprendiz de escrevinhador, esboçar alguns parágrafos acerca do que acredito ser necessário para se fazer um escritor. Não é um sermão, mas minha opinião e excassa experiência do que vivi e testemunhei para conseguir chegar a um ponto que me considero capaz de escrever algo decente.

Desde muito cedo, nos primeiros anos de moleque analfabetizado, sempre gostei das letras e das possibilidades que elas ofereciam. Poesias. Sim, comecei por elas, em versos pobres, quadras tão simples e bobas. A seguir veio o interesse pelas fábulas e textos breves, mas nada daquilo foi mais intenso do que o desejo de escrever um livro.

Por viver parte da vida em fazendas, sempre fui obrigado a usar minha imaginação para me divertir com meus brinquedos, dedicando-me a elaborar roteiros para passar os dias brincando. E o gosto pela escrita se aliou a uma fantasia fértil para surgir a necessidade de registrar isso num caderno.

Anos e anos treinando, baseando-me no clássico filme de Steven Spielberg, Jurassic Park. Rabisquei mais folhas e cadernos buscando criar a trama, mas sem o menor resultado. Obtive, umas duas ou três vezes, entre 2003 e 2004, algum resultado, sendo que o primeiro deles se encontra num colégio público de Luís Eduardo Magalhães (Bahia); tentei recuperar o original valioso, pelo valor simbólico e emocional, contudo ainda não consegui (por ninguém saber seu paradeiro em meio a milhares de livros na biblioteca a qual doei o caderno de umas 50 folhas).

Mas, foi em 2007, entre 15 e 16 anos, que veio a obra primordial de minha carreira de pseudoescritor, a já mencionada obra Ariane. Depois vieram os demais.

Bem, o que quero deixar aqui esclarecido é que ser escritor não é apenas escrever um livro e pronto. Não. Envolve muito mais. Pesquisa, noites e dias perdidos em pesquisa tão intensa que a cabeça parece explodir. É o autor se dedicar e se comprometer a fazer de sua obra um filho, dando-lhe todos os cuidados precisos para o seu desenvolvimento, como releituras, acréscimos, cortes, zelo... Nunca, no primeiro livro concluído, deve-se contentar com o resultado obtido de imediato, pois, como aprendi, apenas após 3 anos ou 12 livros depois se alcança um patamar melhor de escrita.

É por isso que não acho que um garoto ou uma garota que tenha 15 ou 16 anos possa ter consciência que seu livro está perfeito para ser publicado. Seria um tiro no pé. Claro que tem exceções, e eu poderia numerar algumas, mas é questão de dedicação e talento latente, que desperta e faz os gênios e os artistas.

Ter um blog, manter contato com leitores e outros autores e ter consciência de que a jornada é mais longa e árdua significa dar o primeiro passo, buscar se aprimorar não apenas como autor, mas como leitor e cidadão. Afinal, a molecada que começa a despontar por aí, escrevendo e divulgando textos, ainda é jovem e tem muito pela frente; então, dá para desacelerar e aprender muito para não ver seus sonhos destruídos logo de cara, seja pela crítica especializada ou por um blog qualquer.

2 comentários:

Paul Law disse...

Olá Alec, como vai? É bom conferir textos reflexivos como este. Acho também que estamos em um processo de amadurecimento, de constante progresso. Acho especial essa possibilidade e mais: encontrar com nossos textos passados é nos encontrar de alguma forma. A experiência pode recuperar algo perdido...
Um abraço, amigo!

Alec Silva disse...

Exatamente, Paul!

Devemos meditar em nossos textos antigos e aprimorá-los, encontrar nossas origens e sonhos há muito perdido...

Grande abraço!