O PseudoAutor

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Baiano nascido numa tarde de julho de 1991. Agnóstico e hipster, estudante de História, apaixonado por simbologias, mitologias e animais pré-históricos.

Escreve amadoramente desde 2007; após alguns anos e quase trinta livros rascunhados, Alec publicou uma coletânea de histórias curtas (Zarak, o Monstrinho, Multifoco, 2011), um conto numa antologia sobre répteis cuspidores de fogo (Dragões, Draco, 2013) e um romance autobiográfico fantástico (A Guerra dos Criativos, independente, 2013), além de algumas obras virtuais na Amazon.

Atualmente se divide em pesquisas para projetos literários e coordenação editorial de um selo independente.

Visitas

Antologias: Se7e Visões - Ambição


Faz um bom tempo que queria falar sobre esta antologia que tive o prazer de organizar e participar, na qual reuni seis amigos escritores para falarmos sobre a ambição.

Antes de tudo, o Projeto Se7e Visões é uma ideia totalmente independente, gratuita e sem fins lucrativos. É apenas uma reunião de autores, de diferentes gêneros, que escrevem sobre um tema apenas, mas livres para povoarem suas histórias com vampiros, extraterrestres, unicórnios, serpentes monstruosas, cavaleiros, deuses, necromantes e tudo mais o que a mente criativa for capaz de criar.

No primeiro volume, Se7e Visões - Ambição, reuni Alfer Medeiros (Fúria Lupina e Livraria Limítrofe), Diego Alves (Detentores da Morte), Isaac Guedes, Tracy Anne, Mary Aline e Eduardo Oliveira para juntos contarmos as facetas ambiciosas do ser humano. Resultado: cada um fez um conto sensacional e de quebra criamos juntos um oitavo conto, que possui três finais possíveis.

Em ordem de apresentação na obra, os títulos dos contos presentes no primeiro volume e um trechinho para dar curiosidade.

Suor e Sangue (Diego Alves)

Eriot acreditou que o choque da batalha o havia deixado louco.
 ― Sou Andressa, deusa do vento e da brisa, do orvalho da manhã, e me compadeci de ti, destemido cavaleiro, e sei como conseguir a paz que teu coração tanto anseia. Precisas sentir o descanso eterno daqueles que pela honra merecem. Quero que durmas tranquilo em minha suave maresia...
 ― Se realmente é uma deusa, prove ressuscitando a todos que aqui estão! ― desafiou ele a sua própria razão.
 ― Não posso trazer os mortos de volta, querido cavaleiro, mas vejo que também se te levar comigo com todo esse ódio no seu coração, minhas delicadas carícias não te aquietarão e em minha casa tu não conseguirás descansar.
Falando isso, o vento ficou ainda mais forte, e o sopro fez com que todo o sangue e os corpos daquele lugar se transformassem num bosque de mil árvores.
 ― Proteja este bosque! Não deixes que o rei o derrube! Eu te darei a força necessária para isso! Não duvides da paz que ele trará, mesmo que ela seja tardia. Pois a recompensa vem para aqueles que lutam por seus objetivos.
 ― Sim, farei isso...
Eriot se levantou, cravou sua espada no chão.



O Chifre do Unicórnio (Alec Silva)

O corpo pequeno do ser selvagem aconchegou-se ao da donzela, aninhando-se completamente nos seus braços. Tudo o que ele queria era obter algum carinho e beijar os seios firmes da jovem, sentir seu desejo natural ser saciado outra vez.
A camponesa emocionou-se por ter nos braços um animal tão belo e raro, que em breve seria sacrificado para saciar a ambição de um caçador. Ela poderia espantá-lo, mas precisava da recompensa para impedir a execução do pai, pois este contraíra uma dívida numa taverna e o valor devia ser coberto pela sua morte ou pelo seu pagamento imediato.
Sabendo que o destino do animal se aproximava, a jovem afagou a criatura dourada enquanto sentia os lábios equinos chuparem-lhe o mamilo esquerdo e a pele do seio, numa sucção tanto gentil quanto forte, prazerosa e dolorosa.
Os olhos esmeralda do animal sagrado cerraram-se, entregando-se ao prazer sublime de beijar tão belo peito virgem. Era o sono da paz, o prólogo da morte que espreitava num enorme galho, da árvore mais alta daquela floresta.



Vampiros Existem? (Mary Aline)

Observei o homem.  Ele era tão magro que seria facilmente confundido com um poste se ficasse ao lado de um.
― Certo. Interessante. O que isso significa?
― Ele é um vampiro.
― Sério?! Não me lembro de lendas dizendo que vampiros possuem um grande apetite sexual.
― Samantha... Você não entende. Meretrizes são perfeitas para vampiros. Quem sentiria falta delas? Muitas nem possuem família! É fácil matar, sugar o sangue. Ninguém saberia quem foi o culpado.
― Mas outras meretrizes sentiriam falta, não? Talvez a dona da casa também? Ou, então, o padeiro?
― Padeiro?!
― Elas comem pão, não comem?



Deus da Morte (Tracy Anne)

Aquele era o melhor lugar para pôr meu plano a cabo as catacumbas de Paris. Era até estranho saber que embaixo daquela cidade, nos túneis que séculos atrás eram usados para a exploração das pedreiras, havia algo tão sombrio quanto criptas com os ossos de milhões de pessoas (ossos esses que estavam dispostos pelas paredes dos corredores de forma macabramente artística). Os que eram longos e mais regulares formavam uma parte da parede adornada por crânios, e, por trás dessa muralha, os ossos menores e com menos constância de forma. Aquele lugar provava que os humanos, mesmo que não admitissem, viam beleza na morte.
Os túneis, somente por sua finalidade, já eram assustadores. A luminária a óleo, que eu carregava em uma das mãos, clareava alguns metros à frente e atrás. Além daquele pequeno pedaço visível, só havia escuridão. O que me dava a claustrofóbica impressão de que eu estava em perigo.
Respirei vagarosamente, numa tentativa de me acalmar. Coloquei a luminária no chão e estendi um pedaço de pano branco que eu carregava. No tecido, eu havia desenhado um diagrama contendo ideias de quase todas as teorias que eu já havia pesquisado. Eu iria testar uma magia que invocaria muitos espíritos ao mesmo tempo, usando partes de corpos os ossos antigos demais para serem usados na necromancia tradicional.
Eu tinha fé de que daria certo, pois usaria os mesmos princípios de combinação dos antigos para criar todas as magias existentes.
Sim, daria certo. Tinha que dar certo.



A Ilha das Ambições (Isaac Guedes)




Os sete estavam felizes, porque haviam encontrado o que procuravam, havia ouro suficiente para todos. Então apareceu diante deles um senhor de cabelos brancos que disse:
   ― Aqui tenho sete pequenos alforjes de ouro, com uma coisa muito valiosa dentro. 
Estou dando para vocês dividirem entre si, com a condição de deixarem todo esse ouro aí embaixo, e então saírem são e salvos daqui. Vocês é que decidem. Se caso decidirem ficar com um pequeno alforje cada um, poderão voltar para casa, mas se decidirem que querem mais e adentrar no abismo para pegar o ouro, pode ter certeza que nunca sairão  dessa ilha. A escolha é de vocês!
Dito isso desapareceu, deixando sete pequenos alforjes.
Era uma escolha muito difícil...



God Jul (Eduardo Oliveira)

Kär levantou o rosto, furioso.
Não! O problema é que eu não ganhei presente algum! gritou, fazendo seu rosto ficar vermelho de ódio. Nem o que eu queria, nem qualquer outro!
Os duendes continuavam andando, despreocupados.
Papai Noel riu.
Você está dizendo, então, que veio até aqui para reclamar um presente não-recebido? perguntou, com naturalidade.



O Evento Tunguska (Alfer Medeiros)

Caminhando enquanto retirava um pequeno objeto de um de seus bolsos, o alienígena digitou alguns comandos rápidos e efetuou a leitura do aparelho. Recebeu a informação de que a única forma de vida animal em atividade ali estava bem próxima, e prestes a ficar frente a frente com ele.
Quando o curioso caçador irrompeu pela trilha aberta pela queda da nave, a dez metros de distância, os dois pararam completamente.
Seres de galáxias completamente diferentes se encararam, atônitos. Estranheza, medo, fascinação e curiosidade rodopiavam entre eles, como um imenso redemoinho tragando duas frágeis embarcações, em meio a um oceano escuro e ameaçador. O homem decidiu utilizar a única comunicação universal que conhecia: a violência. Rapidamente, puxou uma flecha da algibeira e com ela retesou a corda do arco, com o máximo de força que conseguiu imprimir ao instrumento.



Pai e Filho (Alec Silva, Alfer Medeiros, Diego Alves, Eduardo Oliveira, Isaac Guedes, Mary Aline e Tracy Anny)

Enfim, chegamos ao oitavo conto, no qual os sete escritores irão unir histórias tão distintas num único evento.

A ordem dos contos comanda a ordem que cada autor deu a sua contribuição para que este conto pudesse ser agora lido por você, caro leitor.



Além dessa ótima equipe, o primeiro volume contou com o prefácio de Eric Musashi (Os Herdeiros dos Titãs), além de integrar o Projeto Livros Grátis, de meu amigo Rochett Tavares, que disponibiliza e-books para baixar.

Enfim, para quem quiser conferir esta antologia que me orgulha tanto, é só ler no Bookess ou baixar.

E aguardem, pois em breve teremos notícias sobre os próximos volumes!

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