O PseudoAutor

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Baiano nascido numa tarde de julho de 1991. Agnóstico e hipster, estudante de História, apaixonado por simbologias, mitologias e animais pré-históricos.

Escreve amadoramente desde 2007; após alguns anos e quase trinta livros rascunhados, Alec publicou uma coletânea de histórias curtas (Zarak, o Monstrinho, Multifoco, 2011), um conto numa antologia sobre répteis cuspidores de fogo (Dragões, Draco, 2013) e um romance autobiográfico fantástico (A Guerra dos Criativos, independente, 2013), além de algumas obras virtuais na Amazon.

Atualmente se divide em pesquisas para projetos literários e coordenação editorial de um selo independente.

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Breves Dicas para Cenas de Combate


Algumas pessoas possuem dificuldades para escrever cenas mais complexas, como as de combate, de persguição, de sexo e de tortura, pois uma vez cometido um deslize, pode se tornar uma cena qualquer e prejudicar toda a intenção do autor.

Creio que o ideal para se acostumar a cenas mais agitadas seja ver MUITOS filmes. O visual sempre ajuda a apurar os olhos e a mente, a captar coisas o tempo todo. Uma mente criativa só consegue trabalhar quando há prévio conhecimento do que se pretende fazer. Trailers também ajudam muito. E leitura. Ler livros com boas cenas de combate e afins ajudam a desenvolver a imaginação.

Um exercício simples é pensar numa criatura qualquer e descrevê-la ao passo em que se narra uma ação.

EXEMPLO:
Dragão
  • Asas de morcego
  • Cabeça afinada
  • Bico de águia
  • Corpo de lagarto
  • Cauda longa
  • Olhos amarelos
Nota-se que não é muito fácil imaginar essa fera apenas com esses dados, embora nos dê uma noção básica de como ela seja, mas, e se o descrevermos no meio de uma cena?

Gabriel ergueu os olhos, ainda descrente no monstro que sobrevoava a cidade. Suas asas, cuja envergadura deveria ter de vinte a trinta metros, pareciam a de um morcego, contudo com um brilho reptiliano e com alguns buracos nas membranas. No alto, parecia um lagarto dotado de asas e uma cauda longa, semelhante a de uma serpente; mas, num voo rasante, mergulhando para abocanhar pobres infelizes com seu bico aquilino, o rapaz pôde perceber melhor as escamas saliente e brilhantes; sua cabeça afinada, com olhos amarelos e furiosos, movia de um lado a outro, com partes de corpos pendurados, seus dentes alvos maculados pelo rubro de suas vítimas.

Em momento algum deixei o dragão imóvel, mas o descrevi na dinâmica da cena, dando movimentos e ações a ele, interagindo com o personagem que o observa. E uma cena de combate é mais ou menos assim.

Phyreon havia criado uma esfera prateada e avançado, mas um tremor de terra o desequilibrou e a bola de energia lhe escapou da mão, explodindo. Uma enorme labareda se espalhou, consumindo tudo num raio de meio quilômetro, erguendo-se num urro demoníaco, rasgando parte das nuvens e as incendiando.
Mal me recuperei do monstruoso susto, testemunhei um tornado surgir e puxar todo o fogo, extinguindo-o somente abaixo das nuvens, mas levando-o ao alto, onde consumia o firmamento com ainda mais agressividade.
Senti a água quente queimar a minha pele. Apressei-me em criar escudos de proteção — um truque que imitei de minha Capitã, no episódio do Santuário —, protegendo a mim e ao outro eu.
(A Guerra dos Criativos)

Uma cena simples, mas capaz de proporcionar ao leitor visualizar o que está acontecendo. Não precisei detalhar tudo, mas o bastante para que pudesse ser imaginado.

Portanto, uma cena de ação, combate e de perseguição deve ser narrado de modo a permitir ao leitor ter uma noção do que o autor imaginou para aquele momento. Muitas vezes há a necessidade de mais detalhes cenário, personagens, criaturas, movimentos...), e noutras vezes basta apenas causar emoção, impacto.

Eu era péssimo nisso, mas com o tempo fui me aperfeiçoando, embora ainda não me ache digno de ser um bom escritor de cenas de luta.

Enfim, espero ter ajudado de alguma forma.

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