O PseudoAutor

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Baiano nascido numa tarde de julho de 1991. Agnóstico e hipster, estudante de História, apaixonado por simbologias, mitologias e animais pré-históricos.

Escreve amadoramente desde 2007; após alguns anos e quase trinta livros rascunhados, Alec publicou uma coletânea de histórias curtas (Zarak, o Monstrinho, Multifoco, 2011), um conto numa antologia sobre répteis cuspidores de fogo (Dragões, Draco, 2013) e um romance autobiográfico fantástico (A Guerra dos Criativos, independente, 2013), além de algumas obras virtuais na Amazon.

Atualmente se divide em pesquisas para projetos literários e coordenação editorial de um selo independente.

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Conto: Pôr-do-Sol (Alécio Silva)


Fim de tarde.

O crepúsculo, a bela aquarela de cores quentes e rastros tímidos de tons frios, o sol parecendo ser engolido pelo horizonte oeste, pelas nuvens, que também se incendeiam.

Um pai de olhos emocionados, apaixonados.

As pupilas pareciam competir com o brilho do fim de tarde, do antes do pôr-do-sol, dos minutos derradeiros, aqueles que antecedem a noite. Era admiração, fascínio, encanto, esperança, sonho, amor... tudo num simples olhar.

Na mão direita o mais lindo — e o maior e mais caro — buquê que ele um dia comprou. Rosas. Vermelhas e brancas. União. Unidade. Dois formando um. Fitas róseas, laços tão bem elaborados e delicados. O aroma é agradável, muito tenro.

Perto das seis.

Fim de um dia de trabalho para angariar o sustento. Ou não. Depende muito do ponto de vista.

O coração ansioso, apreensivo, na espera. A saudade é grande. A vontade desesperadora de revê-la, de abraçá-la, de beijá-la. O sonho de um acordado, de um jovem tolo, de alguém que ama.

O sol agora toca mais da metade do corpo no oeste, sendo um semicírculo, um semirredondo. Parece velho, parece semimorto. Ou parece apenas sentir pena de alguém, talvez daquele jovem idiota.

O pé esquerdo batendo firme e ritmicamente no chão, na grama castigada por outros pés nervosos ou inquietos. Uma rápida poeira se levanta, quase imperceptível.

No leste vêm as cores frias, a noite com seu manto negro e com as poucas estrelas tão corajosas a ponto de visitarem uma cidade tão sem graça.

Uma figura conhecida se aproxima. Senta-se ao lado do rapaz. Fala. Ouve. Replica. Consola. Lamenta. Levanta-se. E vai embora. Para sempre.

O sol também se foi.

A noite veio.

As rosas caem.

As pétalas se desprendem.

Os laços se desfazem.

Os nós se afrouxam.

Lágrimas descem, molhando o rosto do tolo enamorado.

É assim que tudo acaba.

É assim que tudo se finda.

É assim que tudo se conclui.

É assim que tudo termina.

É assim que tudo morre.

O rapaz parte.

Ele está triste, sozinho, morto... muito oposto ao que era antes do pôr-do-sol.

Mas, como é de se esperar, ninguém nota.

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