O PseudoAutor

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Baiano nascido numa tarde de julho de 1991. Agnóstico e hipster, estudante de História, apaixonado por simbologias, mitologias e animais pré-históricos.

Escreve amadoramente desde 2007; após alguns anos e quase trinta livros rascunhados, Alec publicou uma coletânea de histórias curtas (Zarak, o Monstrinho, Multifoco, 2011), um conto numa antologia sobre répteis cuspidores de fogo (Dragões, Draco, 2013) e um romance autobiográfico fantástico (A Guerra dos Criativos, independente, 2013), além de algumas obras virtuais na Amazon.

Atualmente se divide em pesquisas para projetos literários e coordenação editorial de um selo independente.

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A garota dos sonhos (ou A caótica teoria da vida)


Eu acordei com a lembrança de que em minha mão havia um número telefônico anotado: 99**-****. Por mais que quisesse tentar, não lembraria mais qual foi aqueles oito malditos dígitos. Durante o sonho, eu me esforcei muito, muito para decorar aquela combinação, aquela senha para algum grande prêmio.

Sem nome, sem rosto... e ainda assim a mais bela das garotas dos sonhos de um poeta ou escritor solitário... ela veio e me beijou. Talvez cheirasse a rosas frescas, ao aroma da sublime tentação, da juventude que a alma emana naturalmente, a marca de uma mulher que encanta.

Talvez aquela sequência única de algorismos me permitisse conhecer seu rosto, saber quem veio me digitar... e não supor que fosse uma súcubo, embora, se fosse tal criatura, deve ser uma das mais comportadas. Ou não seria essa jovem que me atenderia, e sim um homem ranzinza, que me xingaria de insultos inomináveis?

Fico pensando em quantos outros sonhos, momentos tão meigos como o de um breve sonho, deixei de vivenciar por me esquecer, por me privar de correr riscos. No final da madrugada, foi uma garota sem rosto e sem nome quem me beijou, que me cativou, mas não seria ela uma projeção de alguém real, que eu poderia ter encontrado pelas trilhas da vida?

Chamam isso de teoria do caos.

Seria mais ou menos assim: se eu tivesse acordado e anotado logo de cara o número de telefone, se tivesse ligado depois, saberia se o sonho foi premonitório ou só uma peça pregada por minha imaginação. Uma possibilidade que nunca será real... ao menos neste universo em que vivo, se você acredita em multiverso.

Para ser ainda mais claro, vejam O Curioso Caso de Benjamin Button. Aliás, no filme tem uma citação trágica sobre a nossa existência: “Às vezes, nós estamos numa rota de colisão e nem sequer sabemos. Seja sem querer ou de propósito, não há nada que possamos fazer".

E isso me leva a interpretar meu sonho.

Naquele dia, por algumas vezes, comentei com amigos sobre minha eterna busca pela musa definitiva, por aquela que será a inspiração, a paixão que se tornará amor, que deixará de ser um conceito para ser um objeto (no sentido platônico). Ainda cheguei a mencionar que todo mês tenho uma paixão diferente, seja real ou imaginária, pois sou como um mendigo e andarilho, escrevendo e procurando nas estradas aquilo que nem sei o que possa ser.

E ouvi Anathema. Sério, se você estiver deprimido, apaixonado, entristecido, solitário, decepcionado ou qualquer outro emocionado, não ouça Anathema. Melhor: sob qualquer motivo, não ouça Anathema. Mas eu não sigo isso. E fui dormir com Untouchable (ambas as partes, em ambas versões) na cabeça.

Se eu não tivesse comentado sobre minhas inspirações, se eu não tivesse falado para uma amiga sobre me apaixonar todos os meses por uma musa platônica, se eu não ouvisse Untouchable naquela noite, enquanto pensava na vida de merda que tenho, não teria sonhado com aquela garota misteriosa que me beijou e anotou o número de telefone em minha mão usando caneta Bic azul. Se eu não tivesse sonhado com ela, se não tivesse me apaixonado por sua aura desconhecida, este texto jamais teria sido escrito.

Poema: O Rato

Aconteceu de verdade. Juro. Foi há uns minutos.


Estava eu tentando extrair versos da solidão,
Quando, num momento qualquer, contemplo o chão,
Avistando uma curiosa e interessante visão:
Um ratinho olhava-me com atenção.

Que criatura mais peculiar era esta que me encarou,
Pois não senti nela medo de mim, e por muito tempo ali ficou;
Segundos inteiros nada fez, sequer se apavorou,
E eu ainda mais espanto fiquei,
Mexi-me uma ou duas vez,
mas o ratinho não se manifestou.

Seria tal singela criatura
Portadora de alma tão pura,
Para não pensar em uma rota de fuga,
Apenas parando e me olhando com roedora doçura?

Mas logo ele partiu para qualquer lugar,
Deixando-me a questionar
Se um dia voltaremos a nos encontrar
Ou aquela foi uma ocasião singular
Que nunca mais se repetirá.

Poema: Chama de uma Vela

Não sei. Apenas veio. 

Há uma luz na janela,
Uma esperança de dias melhores,
De uma chuva para nos lavar

Há um mundo novo a desbravar,
Um jardim de sublimes sabores,
No tremular do fogo de uma vela

Há uma terra de fantasias,
Um paraíso após a morte,
A certeza de que a dor vai passar

Há uma recompensa para a falta de sorte,
Um sentido para tanta agonia,
Tudo no fogo da vela a se apagar

A luz brilha na janela, abaixo de um garoto,
Que se encolhe de tanto frio

Não posso ver seu rosto,
Mas sei que seu corpo logo estará vazio

E a vela também findará.

Poema: Triste

Este poema meio sem jeito é para uma amiga que hoje foi dormir triste. Espero que goste, moça.

Era uma noite tão triste,
Saudade no peito existe,
E ela chorando sem lágrimas no olhar,
Carente de alguém pra abraçar
Naquela noite tão triste.

Ah, minha pequenina,
Sei de seus receios e anseios, doce menina,
E sei o que a faz tão triste!

Queria poder abraçá-la,
Dizer que nada irá machucá-la,
Mas estaria sendo um mentiroso,
Igual aos que puseram tristeza em seu rosto,
E isso seria ainda mais triste.

Apenas queria dar um abraço apertado,
Aninhar sua tristeza em meus braços,
Cantarolar até que você dormisse,
Pois em seu sonhar apenas a paz persiste,
O que é lindo, embora com toques bem tristes.

A morte de dinossauros, Bolaños e outras ilusões da vida


Na semana passada, duas coisas que marcaram minha infância morreram: a melhor franquia com dinossauros e o eterno Chaves/Chapolin/outros personagens que quase ninguém lembra ou cita. Eram fragmentos bacanas das poucas maravilhas de meu tempo de menino... e ambos morreram em intervalos pequenos.

Jurassic World foi uma morte já anunciada. Imagina, enfiar um dinossauro mutante dos infernos! Repetir a fórmula do primeiro filme! E tudo piorou quando vi aquele trailer. Cara, ali morreu todo meu fascínio pelos bichões clonados. Foi demais. Detestei tudo, não me empolguei e abracei o box com os 3 primeiros filmes e falei "Tudo vai ficar bem, meus amigos... tudo vai ficar bem".

Já o Bolaños... bem... não farei mais do que agradecer por me presentear com Chapolin (que sempre gostei mais do que o menino do oito que vivia num barril) e saber que sua morte encerrou uma dor.

Mas 2014 outras mortes se deram.

Morreu minha vontade de publicar. Não sinto mais nenhuma. Sei lá... cansei disso.

Morreram amizades erguidas ao longo de anos. Algumas farão faltas; outras ficaram por muito tempo moribundas.

Morreram as principais ilusões da vida.

E o mais grave: parte de mim morreu ao longo dos meses, nas esperas por respostas a perguntas que eram importantes, ao me calar para não ofender, nos momentos que fui injustamente ofendido... Deixei que me ferissem por não querer ferir ou por achar que merecia sofrer por algum ato impensado de minha parte. E fui me matando com o veneno de guardar rancores.

Acho que a morte de meus companheiros de infância acabam sendo apenas mais um capítulo das desgraças deste ano que logo acaba. Talvez seja hora de largar de vez os animais extintos, os palhaços tristes... guardar as tralhas numa trouxa e, ao lado de um cão com o rabo entre as patas, sumir, buscar algo que há muito perdi.

Ou apenas esperar que inventem uma forma de reverter o processo que transformou um réptil de doze metros num pássaro que desenha o infinito ao voar.

A Morte da Criatividade na Literatura e o Uso Abusivo de "Referências"


Um estrangeiro é acolhida pelo povo rival, apaixona-se pela princesa, mas precisa enfrentar os antigos companheiros para viver essa paixão. Pocahontas? Danças com Lobos? Ou Avatar?

Dois amantes, de lados opostos, vivem um amor proibido, que vai de encontro a tudo aquilo que é um tabu. Romeu e Julieta? Ou Underworld (Anjos da Noite)?

Tanto o cinema quanto a literatura (apenas para me deter nos exemplos mais fáceis e lembrados durante esta postagem) vivem um processo de copia e cola, copia e recorta, cola e recorta de novo que chega a dificultar o verdadeiro das derivações.

Se The Matrix, por um lado, inovou numa trama que mesclava noir, cyberpunk, artes marciais, filosofia e aquele efeito "câmera lenta", de outro, fez referências a muita, muita coisa, do sensacional Mito da Caverna a Alice no País das Maravilhas, de O Fantasma do Futuro a conceitos budistas... Coincidentemente, na mesma época foi lançado o espetacular The Thirteenth Floor, com premissa similar, mas sem essa galera infinita de efeitos especiais e referências.

Lembro ainda de Repo Men, sobre agentes que são responsáveis em coletar órgãos quando o prazo para o pagamento de dívidas vence; intenso, violento e experimental, o final é quase uma cópia de Total Recall (o antigo).

Avatar, tão comentado na época de seu lançamento, é uma mistura de Pocahontas, Dança com Lobos, Tarzan e Uma Princesa de Marte (ambos do mesmo autor, Edgar Rice Burroughs, sendo que comprei a trilogia inicial das aventuras em Barsoom simplesmente porque amei o filme de Cameron), mas com exoesqueletos e uma mensagem "verde" (ou "azul"), salpicada com a Teoria de Gaia e conceitos de ciência bem mirabolante.

Mas, caro leitor, qual o limite exato entre copiar e referenciar, prestar uma homenagem? Há, de fato, liberdade criativa na hora de se pensar numa história e enchê-la de citações a obras de terceiros?

Quero tomar como bases meus livros e os de Raphael Draccon (quem me acompanha nas redes sociais sabe meu carinho pelas obras dele). Ficarei limitado apenas ao último livro que escrevi, O Cubo das Eras, e aos dois representantes das autobiografias que venho minunciosamente desenvolvendo, A Guerra dos Criativos e Colisão (o primeiro volume de uma série de cinco).

Ao que já li de Draccon e acompanho em resenhar e prosas em grupos literários, o grande forte dele é fazer as chamadas "referências" a séries, filmes, livros, games, músicas e qualquer coisa que faça o livro vender; sim, pois é um dos motivos de alguém torrar a paciência se gabando por inserir tanta coisa quando, a meu ver, o essencial é se contar uma história.

Enfim, em Cemitérios de Dragões, seu recente projeto, "uma fanfiction MA-RA-VI-LHO-SA", como tão bem definiu uma resenhista, o autor faz uso da temática dos supergrupos de soldados/jovens/guerreiros/humanos que recebem armaduras para combater o mal. Tanto que o nome da série, Legado Ranger, está aí para referenciar Power Rangers. Não bastasse isso, acrescenta Caverna do Dragão (li em algum lugar o paralelo entre os personagens desse desenho e os do livro dele!), Avatar (tanto o filme já mencionado quanto aquele desenho do Último Mestre de Ar), Harry Potter (?!), Jaspion, Changeman, Flashman, Black Kamen Rider, Naruto (hein?!), Thundercats (eita caray!), o novo filme dos X-Men (aquele com viagem no tempo), Star Wars, Matrix, Pokémon (oxe!)... [tudo aí catei tanto da sinopse quanto das resenhas.]

Das duas, uma: ou Draccon manja pra caramba de copiar ideias ou manja pra caramba de falta de criatividade. Porque assim: entendo perfeitamente que o clichê é algo que muitos evitam, que as boas ideias geralmente já foram usadas... Ser original é complicado demais, ainda mais para esta geração bombardeada de filmes, livros com fórmulas batidas e requentadas... Mas tenho certeza que a falta de originalidade não justifica a preguiça de ser criativo.

Lembro uma vez que um amigo veio até mim, dizendo que A Guerra era algo bastante original e tudo mais, que o lance dos Criativos (os personagens humanos que interagem num mundo de sonhos) usar a imaginação para criar coisas e se enfrentarem era bastante empolgante e nunca viu nada igual. Apenas respondi: "Yu-Gi-Oh!, Digimon e Pokémon". E arrisco assumir aqui que parte da trama cata referências de muitas coisas que vi, li e gostei, como postei uma vez noutro blog, mas em momento nenhum fiz uso disso para promover minha obra. Não fiz porque acredito que a história que me propus a contar é mais importante do que me gabar que faço referência a O Ataque dos Vermes Malditos, por exemplo.

O mesmo caso posso aplicar a Colisão, que possui muito simbolismo e conceitos de física quântica, mas optei mais pela fantasia e evitei usar a pseudociência para explicar os fenômenos. E é uma obra rica não apenas em símbolos cuidadosamente pesquisados, mas possui trilha sonora apresentada na primeira parte, e cada música conduz a revelações do enredo, tanto no primeiro volume quantos os seguintes. E muitas, muitas referências, mas nenhuma descaradamente citada; estão lá, desde Jurassic Park a uma passagem em que um personagem cita uma das "Leis Universais dos Animes", pouco depois de outro reclamar que um terceiro criou Charizards, afinal coisas assim possuem marcas registradas. Só por curiosidade, ainda cito bastante StarGate, A Chave do Tamanho e presto homenagem a muitos filmes e livros que me formaram como leitor e escritor. Num trecho determinado, uma singela homenagem a Mamonas Assassinas.

Já em O Cubo das Eras, há muitas referências e símbolos em curto espaço de tempo. O início é uma paráfrase de A Guerra dos Mundos, com um toque lovecraftiano; há citação de uns games ali, de The Evil Dead aqui, sátiras a filmes acolá, mas tudo no momento oportuno ou descarado... até que a trama fica mais dramática e tensa, e essas coisinhas ficam de lado.

Portanto, não sou hipócrita de criticar o Draccon por fazer essas ditas "referências", mas o critico por não conseguir escrever algo original ou criativo e usar essas citações do terceiro plano pra frente. É como uma fanfiction mesmo, sabe? Não há algo dele ali, algo que seja sustentado por si só; é como uma linda marionente que depende de cordas para se mover: um boneco lindinho, mas inútil sem essa sustentação.

Vi recentemente O Segredo da Cabana, um filme que satiriza inúmeros gêneros do horror, resultando em recortes de filmes até surpreender com um final instigante. Vejo os livros do Draccon assim, mas sem aquela graça na narrativa. É uma imitação, sabe? Coisas que funcionaram com outros e ele usa, sem aquela audácia típica de mentes criativas e inovadoras; se de um polo temos os irmãos que revolucionaram com The Matrix, de outro temos aquele que preferiu apenas copiar e fazer uma versão morna do original.

Se ao menos tivesse uma escrita atraente, compensaria a falta de criatividade em conduzir uma alma pro Inferno ou Sonhar (ou qualquer lugar que seja), enquanto copia a obra de Dante, envia anjos, demônios, deuses oníricos e usa o Sandman de Gaiman... e me fazendo querer desistir do livro nas primeiras 30 páginas.

O que quero dizer com tudo isso?

NÃO IMPORTA se sua ideia não é original, mas SEJA CRIATIVO! Sério! Quando comecei a elaborar as coisas para O Cubo das Eras, peguei como base Jumanji, Zathura e StarGate, mas fui criando identidade no amadurecimento das coisas, apresentando a jornada de três amigos para determinar o direito de sobrevivência ou extinção da raça humana. Não optei em desenvolver a trama em volta do objeto "mágico", como fiz na primeira versão, O Enigma do Cubo, que publiquei em 2011, numa coletânea.

Ao elaborar Colisão, fugi de muitas coisas, concentrei em pesquisas sobre os assuntos que queria abordar, consultei mapas, li sobre cada aspecto, esbocei cenas... e acho que criei algo superior a A Guerra dos Criativos, nem que seja um degrau. Eu poderia optar pelo mais fácil, mas estou trilhando uma jornada em cinco partes para contar uma aventura que mescla diversos assuntos.

Se querem escrever sobre um mundo distópico, pesquisem temas polêmicos, fujam da besteira de copiar Jogos Vorazes e similares! Leiam 1984 ou Admirável Mundo Novo! Ou serão apenas "mais um" no meio de um monte de merda! Eu, por exemplo, tenho uma ideia de distopia que mostra um mundo sem religião, mais ou menos como foi visto em Equilibrium, um excelente filme do Bale, que ficou meio ofuscado com o segundo filme da trilogia Matrix. O que vai garantir que a ideia seja criativa é minha abordagem, e tenha certeza que não será com uma protagonista dividida entre dois amores.

Como editor de um selo independente, estou lendo um livro de um dos autores que estou apostando algumas fichas. Questionei-o se ele havia pegado um conceito de Blade II ou Criatura Perfeita, pois achei um dos núcleos apresentados muito similar, o que ele negou, afinal nem tinha visto os filmes. Inconsciente coletivo? Talvez. Contudo, o diferencial é a abordagem criativa que ele optou dar ao tema já desgasto que é o vampirismo.

Copiar coisas dos outros (como Draccon fez ao manter o termo ranger aos guerreiros com armadura) é menosprezar a capacidade criativa, é zombar da inteligência do leitor; não precisa ser um termo novo, mas não é complicado brincar com palavras e elaborar algo mais decente (por que não usar o termo caçador ou emissário, por exemplo?). Fazendo isso, ou você cria uma fanfiction sem muita identidade ou está plagiando a obra de outro.

Ideias são livres. Eu usei uma que vi num filme de comédia sobre um jardim celeste (uma linda metáfora sobre como o materialismo pode ferrar com as coisas boas da vida); não foi mais do que um minuto a cena, na qual o protagonista, um ator decadente que fez sucesso quando criança, conta sobre o roteiro maravilhoso que recebeu após tantos anos fora do mercado. Foi o bastante para eu adaptar a ideia e escrever o elogiado O Jardim Celestial de Guilherme.

Mas, ao contrário de ideias, obras artísticas dos outros são propriedades intelectuais e qualquer alteração ou derivação sem autorização é crime e, principalmente, prova de mediocridade intelectual.

Poema: Canção de um Anjo

Tem noites ou madrugadas que temos sonhos tão maravilhosos... aí acordamos. Este poema é sobre um sonho que tive hoje.


Ouvi a voz de um anjo numa canção
Que falava sobre coisas do coração;
Ouvi a voz de um anjo falar de solidão,
Sobre coisas oriundas da depressão;
Acordei em desolação,
Pois, embora haja recordação,
Não me lembro a letra da canção;
Apenas sei que um lindo anjo abriu seu coração.

Poema: Mel III

Outro poema, feito pouco depois de simplesmente travar a garganta na hora de jantar. Enfim...


Este amor, Mel, chegou ao limite,
Arrancou todo meu fraco apetite,
Pois não consigo parar de pensar em ti;
Este amor me tirou a vontade de sorrir.

O que fizeste comigo?
Acaso isto é algum castigo
Por algo que devia ter feito,
Por amar demais, por faltar com respeito?

Como posso continuar esta vida,
Quando em meu peito há uma ferida
Que me queima e me enlouquece,
Que de minha pouca alegria carece?

Ah, Mel, tu és ingrata amante,
Lembrando-me a todo instante
- Ah, pobre de mim! Pobre de mim! -
Que é melhor morrer do que viver assim!

Poema: Mel II

Outro poema, feito para minha amante constante... 


Mel, a cada dia que passa
Mais este amor que tu tens me mata,
Uma parte de mim deixa de existir
E tu apenas rires de mim.

Tu juraste me trazeres calma,
Mas só perfuraste minha pobre alma
Com pensamentos de dor
E me fez acreditar que era amor.

Como pode, Mel, brincares com o que sinto,
Se diante de tuas mentiras não minto?
Acaso, Mel, és tu uma farsa,
És o princípio de toda minha desgraça?

Poema: Mel

Um pequeno exercício poético que fiz hoje, na hora do jantar, enquanto ouvia repetidas vezes a versão do Hydria para Ana's Song, que fala sobre anorexia e tal. Como já devo ter mencionado aqui ou ali, tenho depressão e imaginei esses versos simples aí, digitando direto no celular e postando no Facebook.


Mel, eu te respeito,
Mas tu me perfuras o peito
Com teus dedos finos
E me provoca desatinos.

Mesmo que tu digas me amar,
Não posso confiar
Em alguém que me deseja sorte,
Mas só me causa morte.

Trecho: A Violinista

O trecho a seguir não pertence a qualquer obra minha, sendo meramente um exercício criativo que comecei no WhatsApp e continuei no Facebook.

A estação estava com pouco movimento; pessoas indo e vindo, preocupadas com horários e compromissos, pensando em problemas. Ninguém notou a figura melancólica chegar, carregando o estojo com o violino, como se fosse uma maleta, numa mão e uma mala pequena, em couro preto e detalhes dourados, noutra. Ninguém reparou seu olhar distante, em algum lugar incerto no tempo e no espaço. E ela preferia assim.

Sentando-se num banco de madeira, cuja pintura estava desgastada pelo tempo, a violinista abaixou os olhos negros, enquanto uma pequenina listra cristalina passeava por sua pele alva, encontrando seus lábios finos e rosados, e ali se perdendo a um sorriso que há muito morreu. Apresentou-se a secar a lágrima com um lenço com as iniciais C. S., seu nome artístico.

"Tudo bem, moça?", perguntou uma menina de cabelos castanhos e cacheados, parando diante daquela mulher cansada.

A violinista não queria mentir para uma criança, tampouco revelar suas dores; apenas esboçou um sorriso e abriu o estojo, pegando seu instrumento, ajeitando-o de maneira a improvisar alguma canção. Não se importava em se apresentar para uma ou duas pessoas; havia aprendido que uma boa música é livre, assim como a alma.

E por um minuto, toda a estação se encheu de uma sinfonia suave, algo tão mágico que todos pararam suas vidas medíocres para ouvir as cordas angelicais de um espírito de luz.

PseudoCrônica: Abandono


Quando eu estava bem além da metade de A Guerra dos Criativos, conversei com minha ex-namorada num domingo bem monótono de trabalho. Em certo momento da conversa, perguntei o motivo de termos terminado, já que estávamos relativamente bem; e a resposta me fez compreender o quão a depressão me afasta de coisas boas e faz as pessoas se afastarem, pois raramente compreendem minhas mudanças de humor e pensamento, a minha necessidade de querer espaço por algum tempo.

Ela me contou que fazia bastante tempo que eu havia parado de ser atencioso e carinhoso, sempre distante e parecendo estar ao lado dela de má vontade; e o amor que ela sentia por mim ia sumindo dia após dia, resultando em um desgaste em nosso namoro. E um dia acabou.

Fico pensando em quantos amigos perdi por estar distante, por simplesmente parar de me importar, mesmo que de maneira inconsciente. Talvez se eu fosse um pouco mais tolerante, um pouco mais presente, um pouco mais interessado, ainda teria tantos amigos como antes.

Abandonei vários planos, projetos e ideias por desânimo, por desinteresse. Bienal de SP, viagem para Salvador, livros que eu me empolguei em construir tramas, contos para antologias, lugares para ir, pessoas a visitar ou conversar... apenas fui deixando de lado; algumas dessas coisas, infelizmente, começam a me assombrar pela ausência, mas devo arcar com as consequências, afinal sou o responsável por isso.

Meu melhor amigo, cuja amizade já durava bem 7 anos, uma amiga que me chamava de "Padrinho", meus ex-colegas de faculdade, aquele grupo animado de amigos virtuais que escrevem, a amiga por quem nutro uma paixão platônica e me inspirou as últimas gotas de poesia... tudo se foi. E estou só.

Enfim, se algum dia aqueles que abandonei lerem isto, perdão. Eu não os queria magoar.

PseudoCrônica: Medo da Chuva

Ontem, numa daqueles conversas aleatórias com uma amiga no WhatsApp, ela comentou que queria que chovesse, pois a chuva a acalmava. Ela estava muito estressada, pois foi um dia complicado, e chover seria bom pra relaxar.

Recordei-me de três episódios envolvendo chuva, os quais resumi para ela, em meio a sentimentos e emoções iguais as das épocas em que aconteceram.

O primeiro momento foi há muito, muito tempo; quase 10 anos. Eu tinha uns 14 anos, acho; talvez menos, talvez mais, isso pouco importa. Era uma daquelas tardes que mudam de repente, passando de ensolarado pra nublado num piscar de olhos; e eu estava na companhia de uma namorada, daquelas que, ao menos em meu tempo de moleque, rendia um namoro com resquícios de inocência e era "fofo" para os adultos.

A chuva veio sem avisar, como as grandes mudanças da vida, e nos abrigamos num espaço reduzido, onde era muito fácil se molhar, o que acabou acontecendo. E minha namorada tremeu de frio, batendo o queixo com extrema facilidade; eu também estava assim, talvez até pior que ela, pois tenho um problema com climas frios. Abracei-a, passando meu calor para ela, evitando que a chuva a molhasse ainda mais.

Bobo, eu sei, mas guardo com boas energias.

O segundo, um pouco mais pra frente, e ainda assim distante do agora, também envolve uma namorada e aquela mudança de clima. Outra personagem, outro lugar, outro Alex, mais maduro, e mais apaixonado do que aquele primeiro.

Voltávamos de um curso, já no final de tarde; eu, um jovem cheio de problemas; ela, uma namorada atenciosa e que me fazia bem. Lembro-me de naquele dia, assim como noutros, reclamar da blusa de crochê que ela usava, mas eu gostava daquela peça; minha cisma era por ciúme bobo, sabe, daquele tipo que temos mais por ter, pois se eu olhava aquele decote lindo que se formava, outro também o faria. Minha namorada sempre me dizia que eu ficava engraçado quando enciumado, e nunca fui de exageros; e usar aquela blusa era mais por me provocar do que por qualquer outra coisa.

Aí choveu! Chuva razoável. Abrigamo-nos num ponto bem protegido, mas me ocorreu uma daquelas ideias malucas; puxei-a para a chuva, falando de um sonho idiota, mas que eu queria realizar ali, naquele instante e com ela. Abracei-a e a beijei, a chuva caindo em nós, indiferente a tudo por segundos. Não nos molhamos muito, mas um resfriado nos visitou por alguns dias. Valeu a pena.

E o terceiro, bem, é ainda mais bobo que os dois primeiros.

Eu voltava de algum lugar de bicicleta; fugia de uma possível chuva, mas ela me achou na metade do percurso. Nunca na minha vida me molhei tanto como naquela tarde; não praguejei, não lamentei, e sim abri os braços, ainda pedalando, e gritei o mais alto que pude. Teve uma ou duas pessoas, presas em pontos ali e acolá, que me olharam; "um louco!", devem ter pensado. E eu me senti bem com a chuva pela última vez.

Em três momentos apenas, e nunca mais se repetiu ou nada semelhante ocorreu, a chuva, esta companheira que me deprime, foi capaz de me fazer sorrir, viver e lavar minha alma. Por isso entendi as razões de minha amiga, tão estressada, apreciar tanto suas dádivas.

Mesa-Redonda no MMAD [22 de agosto de 2014]

Dia 22 de agosto, sexta-feira, vai rolar bate-papo bacana comigo e outros 5 Power Rangers escritores e ilustrador num evento aqui na cidade. O MMAD vai do dia 20 (apenas para convidados na quarta) ao 22 (quinta e sexta aberto ao público que se inscreveu, totalmente gratuito e tal), contando com uma programação muito interessante e para todos os gostos.

Quem mora em LEM e tiver interesse, inscreva-se até dia 18, ok?

Mas, voltando a falar da Turma da Mônica (uma das organizadoras se chama Mônica, aliás) galera que estará lá comigo, saiu uma matéria no blog da Agência Immagine com algumas informações tanto sobre a mesa-redonda que faremos quanto apresentando a turma toda.

Como sou o editor dos cinco autores, resolvi fazer esta postagem aqui para apresentá-los, pois ainda falarei muito sobre um ou outro, conforme os trabalhos forem aparecendo.

ALEC SILVA
Baiano nascido numa tarde de julho de 1991. Agnóstico e hipster, apaixonado por simbologias, mitologias e animais pré-históricos. Escreve amadoramente desde 2007; após alguns anos e quase trinta livros rascunhados, publicou uma coletânea de histórias curtas (Zarak, o Monstrinho, Multifoco, 2011), um conto numa antologia sobre répteis cuspidores de fogo (Dragões, Draco, 2013) e um romance autobiográfico fantástico (A Guerra dos Criativos, independente, 2013), além de algumas obras virtuais na Amazon. Atualmente se divide em estudos acadêmicos, pesquisas para projetos literários e coordenação editorial de um selo independente, o qual é um dos fundadores.
Em novembro lançará O Cubo das Eras, novela de fantasia científica.

ANTON ROOS
Formado em jornalismo pela Faculdade São Francisco de Barreiras (FASB) em 2009 e pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pontifícia Unidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Anton Roos nasceu em Três Passos/RS. Atuou como colaborador, repórter e editor do jornal Classe A de Luís Eduardo Magalhães/BA, entre 2008 e 2013 e da Revista A de Barreiras/BA, onde ainda assina uma coluna. É fã de Rush, mulheres de óculos e futebol americano.
Em novembro lançará A gaveta do alfaiate, coletânea de crônicas.

GUILHERME ARAUJO
Nascido em 1998, em Central, na Bahia. Aos 14 anos, após ler uma boa quantidade de livros, resolveu tentar escrever alguma coisa; foram várias tentativas até que surgisse uma história em que foi confiado todo seu esforço: Segredos Trancados. Ele mesmo declara: “O que escrevo é sempre algo que nunca irei viver, gosto de desafiar meus próprios personagens. Segredos Trancados é um exemplo disso”.
Em novembro lançará seu primeiro livro.


ISAAC GUEDES
Nasceu no povoado de Brejões, na Bahia, em maio de 1989. De vida simples, gostava de pescar, jogar futebol com os amigos, ir à igreja e tinha uma paixão que o tornava muito feliz: escrever. Para ele, criar histórias é como viajar em um mundo diferente do real, onde seus sonhos se tornavam realidade, mas sempre soube que a realidade não é um conto de fadas. Atualmente cursa Matemática e leciona para turmas de Ensino Médio, dedicando-se sempre que pode às histórias e poesias.
Em novembro lançará Colheita Poética, coletânea de poesias.

JARDEL REIS
Nasceu em agosto de 1992, em Irecê, Bahia.  Influenciado pela mãe, uma professora de Artes, começou a desenhar cedo e se interessar por arte visual e música. Em 2005 entrou para o Grupo Fala, uma companhia escolar de teatro. Em 2007 participou da gravação do longa-metragem O mágico de Oz, interpretando o Leão pela mesma companhia teatral. Em 2008 foi classificado no terceiro lugar num concurso de desenho regional promovido pela Fundação Bradesco de Irecê. No ano seguinte, venceu com a melhor arte. Atualmente é estudante de História, trabalha profissionalmente como designer gráfico na área de comunicação visual, ilustrou a antologia Ginoides vol. 1 e ajudou a fundar um selo editorial independente. 
Papel, Caneta e uma Mente Azul é sua primeira obra autoral.

RICARDO HASEO
Nascido em 26 de fevereiro de 1995, em Irecê, no interior da Bahia; apaixonou-se pela leitura com os gibis da Turma da Mônica, e, a seguir, por HQs e livros de ficção científica, horror/terror e fantasia épica. Incentivado pelo rock nacional e internacional, entusiasmou-se pela música, aprendeu a tocar guitarra, gaita e violão, mas abandonou os instrumentos para dedicar-se ao seu verdadeiro amor: escrever. Começou a postar seus textos na internet; obtendo resposta animadora daqueles que o lia, dedicou-se à escrita.
Colunista literário em um jornal local e estudante de História, Clamor pelo Sangue: O Olho da Penumbra é seu livro de estreia.

PseudoCrônica: Pilhas de Coisas

Estou com uma pilha de livros para ler. São livros de todos os tipos, sabe? E hoje chegou outro, que já está em algum canto ali, só me esperando. É impressionante como acumulo coisas pra ler com a mesma facilidade de quem acumula problemas. Se bem que também tenho problemas. Aliás, quem não os tem, né?

Fico pensando no que enfrentei nas últimas semanas... melhor, nos últimos meses. Sofri de ansiedade por respostas que até hoje não vieram; acabei jogando as perguntas numa pilha de perguntas que nem lembro mais... e quem sabe as esqueço. Sofri de medo de não conseguir pagar alguma conta no final do mês ou me atrapalhar na faculdade; acabei por trancar o curso, pois estava chato e pouco produtivo. Sofri com pesadelos que me sufocavam o peito e me faziam acordar quase gritando. Enfim, meses de amargura, tristeza e sofrimento.

No dia que Robin Williams morreu, estava eu discutindo eventos e projetos, indo numa pizzaria a lenha, conversando com um cronista e um escritor promissor, que sofre de males semelhantes aos meus; e foi bacana, sabe? Tudo bem que meu jeito meio arrogante e muito chato incomode, mas foi divertido. O fato é que eu sou fã do cara... e descubro que morreu. Pior: ele se matou possivelmente! E para alguém se matar, acredite, a vida deveria estar uma bosta sem fim!

Aí eu olho para as pilhas de coisas que deixei, que reneguei: amores que nunca vivi, sonhos que nunca realizei, perguntas que nunca fiz ou foram respondidas, pessoas que simplesmente deixei ir... são volumes sem fim, altas e sempre aumentando.

Aí eu olho a pequenina pilha de alegrias de agora; e alguém me vê animado e bem, coisa rara nesses meses que se passaram, e pergunta se estou apaixonado. Bem, acho que estou. Talvez ainda haja algo numa das diversas tralhas espalhadas ao meu redor que possa me completar; mas aí eu teria de garimpar, e não sei se faria isso. Apenas optei deixar ali, livre, sem pressão.

Não desejo mais as respostas para as perguntas que fiz. Tampouco faço castelos no ar nem sonho mais do que posso alcançar. E essa paixão, sabe, aquela dorzinha no peito, esta ainda guardo aqui, mas não tenho como me atentar a ela como antes. Eu sei que o tempo se encarregará de curar a ferida e trazer outra pessoa para causar uma nova. A vida é feita mais de cicatrizes do que se imagina.

Por ora, neste meu estado de alegria, apenas amo sem esperança, como disse o poeta, escrevo sobre as coisas que penso em silêncio, abraço forte a solidão e a convido para um bate-papo, enquanto me debruço sobre alguma pilha de livros. Tanto os que lerei quanto os que irei escrever.

Sonhos...

Todos nós temos nossas máquinas do tempo. Algumas nos levam pra trás, são chamadas de memórias. Outras nos levam para frente, são chamadas sonhos.
Jeremy Irons, em A Máquina do Tempo

Há uma beleza enigmática nos sonhos.
Há sonhos que nos conduzem para tempos perdidos. Outros, há momentos esquecidos.
Há sonhos que nos tornam mais vivos do que o acordar; ou mais mortos do que se morrêssemos.
Há sonhos tristes de corações felizes, assim como há sonhos alegres de corações tristes.
Há sonhos que nos mostram aquilo que tememos, e tentam nos tornar fortes para a vida. Outros, contudo, apenas querem nos derrubar quando achamos que estamos preparados para o combate.
Há sonhos que nos acalentam e nos acalmam quando mais precisamos.
Há sonhos, como o que tive hoje, que apenas respingam melancolia e poesia em algo tão mágico, mas que hoje pertence a um passado que se desfez.

"Ariane", ou o que sobrou de um amor

E-book de graça nos dias
12 e 13 de junho de 2014.
Em 2007, aos 15 anos (quase 16), eu era um garoto bem sonhador e cheio de romantismo; vivia rabiscando poemas e tentando concluir um livro, mas sem obter sucesso. Era uma época interessante, afinal foi naquele ano que comecei a dar meus primeiros passos verdadeiros como escritor.

Ariane demorou uns 3 meses para ser escrita. Digo, uma vez que definiu mais ou menos 5 capítulos avulsos, os quais elaborei em meses anteriores, e soube a premissa, a escrita foi fluída e até divertida. Uma história romântica, cheia de lirismo e fantasia inspirada na mitologia grega.

O livro surgiu por eu estar apaixonado, por eu sentir que era hora de contar uma história com começo, meio e fim. O amor não vingou, morrendo em acontecimentos tristes e desastrosos; o livro, que era um tribuo à uma garota, ficou como minha obra mais querida; e eu aqui estou, explicando as razões desta postagem.

Eu queria apresentar um poema, alguma coisa minha, que fosse tão romântica quanto é Ariane, mas não consigo mais. O poeta, Alécio, morreu, assassinado por amores que não vingaram, por sonhos que se perderam; ele que me inspirava poesias e romantismo, cansou de gastar tempo com versos nunca lidos, emoções nunca nutridas.

Hoje ainda tentei alguns versos, porém falhei e me zanguei, notando que meu tempo de poeta passou. Assim como o amor que me moveu a escrever o primeiro livro.

Ariane é único por várias razões. Nunca encontrou editora, embora tenha passado por algumas, mas que jamais vingaram; teve mais revisões que qualquer outra obra minha, porém ainda assim é uma história imperfeita como o amor adolescente; possui aquela parte minha que se foi, o eu-poeta, o eu-sonhador, livre de rancores e depressão; e é a única trama sobrevivente de meu anseio pela unificação dos mundos; tinha sequências, mas as perdera, tornando-se uma figura solitária, um amor abandonado.

E estará de graça no Dia dos Namorados e no dia seguinte, que é uma Sexta-Feira 13. É um lembrete de que o amor pode se tornar ódio e rancor, que as palavras que acalentam se envenenam em algum momento e matam.

Mas, para quem pensa que não amo, engana-se. Ainda amo, mas é um amor triste e cansado. Nem a escrita mais me anima, é capaz de me trazer prazeres. Como eu disse, o poeta morreu.


Vídeos
Para não ficar em minhas palavras depressivas, quero deixar com vocês dois vídeos.

O primeiro me foi enviado por uma amiga no WhatsApp, e eu usei numa palestra recente.


O segundo vídeo é uma canção em duas partes de uma banda excelente. Pesquisem a letra quando puderem, pois não irão se arrepender.

Um ponto final

Há mais ou menos 6 meses, talvez menos, talvez mais, estive envolto em algumas questões e resolvi tomar importantes decisões, as quais estou uma a uma executando. São coisas que estão aos poucos me desprendendo de certos incômodos e agonias, deixando para trás vagas lembranças. Para que ninguém fosse pego tão de surpresa, fui deixando pistas aqui e ali, dando os passos iniciais de minha libertação, por assim dizer.

Enfim, naquela mesma época, enquanto lançava A Guerra dos Criativos, uma mistura de alegria e decepção me invadiram como poucas vezes aconteceu antes; e pensei em muitas coisas, em como aquele momento, o ato de estar num evento, com um espaço para lançar meu livro, ter contato com leitores... como tudo aquilo me incomodava. Admito que foi maravilhoso estar próximo de pessoas que leriam meu livro ou que me parabenizaram por lutar pelo que queria; mas, cara, eu não queria aquilo.

Por dias, talvez semanas, analisei aquela sensação de vazio, de despertar de uma ilusão, e notei que publicar um livro nunca foi importante para mim. Não era o que me tornava um escritor, não era parte de mim. E eu vi minha escrita se esvaziar, tornar-se um martírio para mim.

Daquele momento em diante, sem que um dia sequer se passasse, maquinei meios de chegar a este comunicado. Criei um selo editorial com alguns amigos, o qual irei me dedicar por diversos motivos, afinal creio que isso vá ajudar muitos amigos e me ajudará a refinar a nova fase que abraço. Abandonei o envio de originais para editoras, ficando numa espera que nada resultaria, abaixei os preços dos e-books na Amazon, deixei de lado alguns concursos literários.

Estou envolvido noutro projeto que resultará num lançamento; acho que irei conclui-lo, contudo não por querer, mas por certa obrigação. É, apenas por dever.

Pois bem, depois de tanto pensar e planejar, deixo aqui expresso meus agradecimentos a cada um que me ajudou a chegar até aqui, seja amigo, leitor, colega de escrita, irmão de ideias, musa inspiradora; e aviso que apenas este ano estarei preso à projetos literários, como as antologias que fui convidado. De 2015 em diante, entretanto, não pretendo publicar mais nada nem ter meus livros sendo usados para quaisquer finalidades. Escreverei somente para mim e aos poucos que quiserem encarar uma tela de computador, como venho fazendo no Wattpad.

Sendo mais claro, abandono o mercado literário no nível profissional, ficando no modo amador no qual me sinto tão bem e feliz, com textos largados ali e aqui, num comunismo que me agrada. Isso não significa que não terá algo meu na Amazon ou eventualmente impresso, mas será quando eu quiser, para quem eu quiser. Já venho fazendo isso com A Guerra dos Criativos, cuja venda da tiragem lançada não me trouxe lucro algum até hoje, exceto mais leitores e a certeza de que quando escrevo por prazer e sem compromisso, a coisa anda bem.

Algum dia eu posso tentar voltar, apresentar alguma coisa, claro, porém acho que não acontecerá tão cedo; minha visão de literatura é antiquada e errada demais para se conciliar com um mercado que escreve já pensando nos fins (há exceções, antes que me interpretem de maneira grosseira e equivocada).

É isso.

Adeus aos que continuarão na batalha! Torço por cada um de vocês, afinal sei da capacidade e do talento de cada um, e desejo todo o sucesso possível; contem comigo para o que precisarem; a Ex! está aí para ajudar e agregar. E obrigado a cada um que me auxiliou até aqui. Não seria um escritor sem vocês.

Até.