O PseudoAutor

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Baiano nascido numa tarde de julho de 1991. Agnóstico e hipster, estudante de História, apaixonado por simbologias, mitologias e animais pré-históricos.

Escreve amadoramente desde 2007; após alguns anos e quase trinta livros rascunhados, Alec publicou uma coletânea de histórias curtas (Zarak, o Monstrinho, Multifoco, 2011), um conto numa antologia sobre répteis cuspidores de fogo (Dragões, Draco, 2013) e um romance autobiográfico fantástico (A Guerra dos Criativos, independente, 2013), além de algumas obras virtuais na Amazon.

Atualmente se divide em pesquisas para projetos literários e coordenação editorial de um selo independente.

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Poema: Mel

Um pequeno exercício poético que fiz hoje, na hora do jantar, enquanto ouvia repetidas vezes a versão do Hydria para Ana's Song, que fala sobre anorexia e tal. Como já devo ter mencionado aqui ou ali, tenho depressão e imaginei esses versos simples aí, digitando direto no celular e postando no Facebook.


Mel, eu te respeito,
Mas tu me perfuras o peito
Com teus dedos finos
E me provoca desatinos.

Mesmo que tu digas me amar,
Não posso confiar
Em alguém que me deseja sorte,
Mas só me causa morte.

Trecho: A Violinista

O trecho a seguir não pertence a qualquer obra minha, sendo meramente um exercício criativo que comecei no WhatsApp e continuei no Facebook.

A estação estava com pouco movimento; pessoas indo e vindo, preocupadas com horários e compromissos, pensando em problemas. Ninguém notou a figura melancólica chegar, carregando o estojo com o violino, como se fosse uma maleta, numa mão e uma mala pequena, em couro preto e detalhes dourados, noutra. Ninguém reparou seu olhar distante, em algum lugar incerto no tempo e no espaço. E ela preferia assim.

Sentando-se num banco de madeira, cuja pintura estava desgastada pelo tempo, a violinista abaixou os olhos negros, enquanto uma pequenina listra cristalina passeava por sua pele alva, encontrando seus lábios finos e rosados, e ali se perdendo a um sorriso que há muito morreu. Apresentou-se a secar a lágrima com um lenço com as iniciais C. S., seu nome artístico.

"Tudo bem, moça?", perguntou uma menina de cabelos castanhos e cacheados, parando diante daquela mulher cansada.

A violinista não queria mentir para uma criança, tampouco revelar suas dores; apenas esboçou um sorriso e abriu o estojo, pegando seu instrumento, ajeitando-o de maneira a improvisar alguma canção. Não se importava em se apresentar para uma ou duas pessoas; havia aprendido que uma boa música é livre, assim como a alma.

E por um minuto, toda a estação se encheu de uma sinfonia suave, algo tão mágico que todos pararam suas vidas medíocres para ouvir as cordas angelicais de um espírito de luz.

PseudoCrônica: Abandono


Quando eu estava bem além da metade de A Guerra dos Criativos, conversei com minha ex-namorada num domingo bem monótono de trabalho. Em certo momento da conversa, perguntei o motivo de termos terminado, já que estávamos relativamente bem; e a resposta me fez compreender o quão a depressão me afasta de coisas boas e faz as pessoas se afastarem, pois raramente compreendem minhas mudanças de humor e pensamento, a minha necessidade de querer espaço por algum tempo.

Ela me contou que fazia bastante tempo que eu havia parado de ser atencioso e carinhoso, sempre distante e parecendo estar ao lado dela de má vontade; e o amor que ela sentia por mim ia sumindo dia após dia, resultando em um desgaste em nosso namoro. E um dia acabou.

Fico pensando em quantos amigos perdi por estar distante, por simplesmente parar de me importar, mesmo que de maneira inconsciente. Talvez se eu fosse um pouco mais tolerante, um pouco mais presente, um pouco mais interessado, ainda teria tantos amigos como antes.

Abandonei vários planos, projetos e ideias por desânimo, por desinteresse. Bienal de SP, viagem para Salvador, livros que eu me empolguei em construir tramas, contos para antologias, lugares para ir, pessoas a visitar ou conversar... apenas fui deixando de lado; algumas dessas coisas, infelizmente, começam a me assombrar pela ausência, mas devo arcar com as consequências, afinal sou o responsável por isso.

Meu melhor amigo, cuja amizade já durava bem 7 anos, uma amiga que me chamava de "Padrinho", meus ex-colegas de faculdade, aquele grupo animado de amigos virtuais que escrevem, a amiga por quem nutro uma paixão platônica e me inspirou as últimas gotas de poesia... tudo se foi. E estou só.

Enfim, se algum dia aqueles que abandonei lerem isto, perdão. Eu não os queria magoar.

PseudoCrônica: Medo da Chuva

Ontem, numa daqueles conversas aleatórias com uma amiga no WhatsApp, ela comentou que queria que chovesse, pois a chuva a acalmava. Ela estava muito estressada, pois foi um dia complicado, e chover seria bom pra relaxar.

Recordei-me de três episódios envolvendo chuva, os quais resumi para ela, em meio a sentimentos e emoções iguais as das épocas em que aconteceram.

O primeiro momento foi há muito, muito tempo; quase 10 anos. Eu tinha uns 14 anos, acho; talvez menos, talvez mais, isso pouco importa. Era uma daquelas tardes que mudam de repente, passando de ensolarado pra nublado num piscar de olhos; e eu estava na companhia de uma namorada, daquelas que, ao menos em meu tempo de moleque, rendia um namoro com resquícios de inocência e era "fofo" para os adultos.

A chuva veio sem avisar, como as grandes mudanças da vida, e nos abrigamos num espaço reduzido, onde era muito fácil se molhar, o que acabou acontecendo. E minha namorada tremeu de frio, batendo o queixo com extrema facilidade; eu também estava assim, talvez até pior que ela, pois tenho um problema com climas frios. Abracei-a, passando meu calor para ela, evitando que a chuva a molhasse ainda mais.

Bobo, eu sei, mas guardo com boas energias.

O segundo, um pouco mais pra frente, e ainda assim distante do agora, também envolve uma namorada e aquela mudança de clima. Outra personagem, outro lugar, outro Alex, mais maduro, e mais apaixonado do que aquele primeiro.

Voltávamos de um curso, já no final de tarde; eu, um jovem cheio de problemas; ela, uma namorada atenciosa e que me fazia bem. Lembro-me de naquele dia, assim como noutros, reclamar da blusa de crochê que ela usava, mas eu gostava daquela peça; minha cisma era por ciúme bobo, sabe, daquele tipo que temos mais por ter, pois se eu olhava aquele decote lindo que se formava, outro também o faria. Minha namorada sempre me dizia que eu ficava engraçado quando enciumado, e nunca fui de exageros; e usar aquela blusa era mais por me provocar do que por qualquer outra coisa.

Aí choveu! Chuva razoável. Abrigamo-nos num ponto bem protegido, mas me ocorreu uma daquelas ideias malucas; puxei-a para a chuva, falando de um sonho idiota, mas que eu queria realizar ali, naquele instante e com ela. Abracei-a e a beijei, a chuva caindo em nós, indiferente a tudo por segundos. Não nos molhamos muito, mas um resfriado nos visitou por alguns dias. Valeu a pena.

E o terceiro, bem, é ainda mais bobo que os dois primeiros.

Eu voltava de algum lugar de bicicleta; fugia de uma possível chuva, mas ela me achou na metade do percurso. Nunca na minha vida me molhei tanto como naquela tarde; não praguejei, não lamentei, e sim abri os braços, ainda pedalando, e gritei o mais alto que pude. Teve uma ou duas pessoas, presas em pontos ali e acolá, que me olharam; "um louco!", devem ter pensado. E eu me senti bem com a chuva pela última vez.

Em três momentos apenas, e nunca mais se repetiu ou nada semelhante ocorreu, a chuva, esta companheira que me deprime, foi capaz de me fazer sorrir, viver e lavar minha alma. Por isso entendi as razões de minha amiga, tão estressada, apreciar tanto suas dádivas.

Mesa-Redonda no MMAD [22 de agosto de 2014]

Dia 22 de agosto, sexta-feira, vai rolar bate-papo bacana comigo e outros 5 Power Rangers escritores e ilustrador num evento aqui na cidade. O MMAD vai do dia 20 (apenas para convidados na quarta) ao 22 (quinta e sexta aberto ao público que se inscreveu, totalmente gratuito e tal), contando com uma programação muito interessante e para todos os gostos.

Quem mora em LEM e tiver interesse, inscreva-se até dia 18, ok?

Mas, voltando a falar da Turma da Mônica (uma das organizadoras se chama Mônica, aliás) galera que estará lá comigo, saiu uma matéria no blog da Agência Immagine com algumas informações tanto sobre a mesa-redonda que faremos quanto apresentando a turma toda.

Como sou o editor dos cinco autores, resolvi fazer esta postagem aqui para apresentá-los, pois ainda falarei muito sobre um ou outro, conforme os trabalhos forem aparecendo.

ALEC SILVA
Baiano nascido numa tarde de julho de 1991. Agnóstico e hipster, apaixonado por simbologias, mitologias e animais pré-históricos. Escreve amadoramente desde 2007; após alguns anos e quase trinta livros rascunhados, publicou uma coletânea de histórias curtas (Zarak, o Monstrinho, Multifoco, 2011), um conto numa antologia sobre répteis cuspidores de fogo (Dragões, Draco, 2013) e um romance autobiográfico fantástico (A Guerra dos Criativos, independente, 2013), além de algumas obras virtuais na Amazon. Atualmente se divide em estudos acadêmicos, pesquisas para projetos literários e coordenação editorial de um selo independente, o qual é um dos fundadores.
Em novembro lançará O Cubo das Eras, novela de fantasia científica.

ANTON ROOS
Formado em jornalismo pela Faculdade São Francisco de Barreiras (FASB) em 2009 e pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pontifícia Unidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Anton Roos nasceu em Três Passos/RS. Atuou como colaborador, repórter e editor do jornal Classe A de Luís Eduardo Magalhães/BA, entre 2008 e 2013 e da Revista A de Barreiras/BA, onde ainda assina uma coluna. É fã de Rush, mulheres de óculos e futebol americano.
Em novembro lançará A gaveta do alfaiate, coletânea de crônicas.

GUILHERME ARAUJO
Nascido em 1998, em Central, na Bahia. Aos 14 anos, após ler uma boa quantidade de livros, resolveu tentar escrever alguma coisa; foram várias tentativas até que surgisse uma história em que foi confiado todo seu esforço: Segredos Trancados. Ele mesmo declara: “O que escrevo é sempre algo que nunca irei viver, gosto de desafiar meus próprios personagens. Segredos Trancados é um exemplo disso”.
Em novembro lançará seu primeiro livro.


ISAAC GUEDES
Nasceu no povoado de Brejões, na Bahia, em maio de 1989. De vida simples, gostava de pescar, jogar futebol com os amigos, ir à igreja e tinha uma paixão que o tornava muito feliz: escrever. Para ele, criar histórias é como viajar em um mundo diferente do real, onde seus sonhos se tornavam realidade, mas sempre soube que a realidade não é um conto de fadas. Atualmente cursa Matemática e leciona para turmas de Ensino Médio, dedicando-se sempre que pode às histórias e poesias.
Em novembro lançará Colheita Poética, coletânea de poesias.

JARDEL REIS
Nasceu em agosto de 1992, em Irecê, Bahia.  Influenciado pela mãe, uma professora de Artes, começou a desenhar cedo e se interessar por arte visual e música. Em 2005 entrou para o Grupo Fala, uma companhia escolar de teatro. Em 2007 participou da gravação do longa-metragem O mágico de Oz, interpretando o Leão pela mesma companhia teatral. Em 2008 foi classificado no terceiro lugar num concurso de desenho regional promovido pela Fundação Bradesco de Irecê. No ano seguinte, venceu com a melhor arte. Atualmente é estudante de História, trabalha profissionalmente como designer gráfico na área de comunicação visual, ilustrou a antologia Ginoides vol. 1 e ajudou a fundar um selo editorial independente. 
Papel, Caneta e uma Mente Azul é sua primeira obra autoral.

RICARDO HASEO
Nascido em 26 de fevereiro de 1995, em Irecê, no interior da Bahia; apaixonou-se pela leitura com os gibis da Turma da Mônica, e, a seguir, por HQs e livros de ficção científica, horror/terror e fantasia épica. Incentivado pelo rock nacional e internacional, entusiasmou-se pela música, aprendeu a tocar guitarra, gaita e violão, mas abandonou os instrumentos para dedicar-se ao seu verdadeiro amor: escrever. Começou a postar seus textos na internet; obtendo resposta animadora daqueles que o lia, dedicou-se à escrita.
Colunista literário em um jornal local e estudante de História, Clamor pelo Sangue: O Olho da Penumbra é seu livro de estreia.

PseudoCrônica: Pilhas de Coisas

Estou com uma pilha de livros para ler. São livros de todos os tipos, sabe? E hoje chegou outro, que já está em algum canto ali, só me esperando. É impressionante como acumulo coisas pra ler com a mesma facilidade de quem acumula problemas. Se bem que também tenho problemas. Aliás, quem não os tem, né?

Fico pensando no que enfrentei nas últimas semanas... melhor, nos últimos meses. Sofri de ansiedade por respostas que até hoje não vieram; acabei jogando as perguntas numa pilha de perguntas que nem lembro mais... e quem sabe as esqueço. Sofri de medo de não conseguir pagar alguma conta no final do mês ou me atrapalhar na faculdade; acabei por trancar o curso, pois estava chato e pouco produtivo. Sofri com pesadelos que me sufocavam o peito e me faziam acordar quase gritando. Enfim, meses de amargura, tristeza e sofrimento.

No dia que Robin Williams morreu, estava eu discutindo eventos e projetos, indo numa pizzaria a lenha, conversando com um cronista e um escritor promissor, que sofre de males semelhantes aos meus; e foi bacana, sabe? Tudo bem que meu jeito meio arrogante e muito chato incomode, mas foi divertido. O fato é que eu sou fã do cara... e descubro que morreu. Pior: ele se matou possivelmente! E para alguém se matar, acredite, a vida deveria estar uma bosta sem fim!

Aí eu olho para as pilhas de coisas que deixei, que reneguei: amores que nunca vivi, sonhos que nunca realizei, perguntas que nunca fiz ou foram respondidas, pessoas que simplesmente deixei ir... são volumes sem fim, altas e sempre aumentando.

Aí eu olho a pequenina pilha de alegrias de agora; e alguém me vê animado e bem, coisa rara nesses meses que se passaram, e pergunta se estou apaixonado. Bem, acho que estou. Talvez ainda haja algo numa das diversas tralhas espalhadas ao meu redor que possa me completar; mas aí eu teria de garimpar, e não sei se faria isso. Apenas optei deixar ali, livre, sem pressão.

Não desejo mais as respostas para as perguntas que fiz. Tampouco faço castelos no ar nem sonho mais do que posso alcançar. E essa paixão, sabe, aquela dorzinha no peito, esta ainda guardo aqui, mas não tenho como me atentar a ela como antes. Eu sei que o tempo se encarregará de curar a ferida e trazer outra pessoa para causar uma nova. A vida é feita mais de cicatrizes do que se imagina.

Por ora, neste meu estado de alegria, apenas amo sem esperança, como disse o poeta, escrevo sobre as coisas que penso em silêncio, abraço forte a solidão e a convido para um bate-papo, enquanto me debruço sobre alguma pilha de livros. Tanto os que lerei quanto os que irei escrever.