O PseudoAutor

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Baiano nascido numa tarde de julho de 1991. Agnóstico e hipster, estudante de História, apaixonado por simbologias, mitologias e animais pré-históricos.

Escreve amadoramente desde 2007; após alguns anos e quase trinta livros rascunhados, Alec publicou uma coletânea de histórias curtas (Zarak, o Monstrinho, Multifoco, 2011), um conto numa antologia sobre répteis cuspidores de fogo (Dragões, Draco, 2013) e um romance autobiográfico fantástico (A Guerra dos Criativos, independente, 2013), além de algumas obras virtuais na Amazon.

Atualmente se divide em pesquisas para projetos literários e coordenação editorial de um selo independente.

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PseudoCrônica: Medo da Chuva

Ontem, numa daqueles conversas aleatórias com uma amiga no WhatsApp, ela comentou que queria que chovesse, pois a chuva a acalmava. Ela estava muito estressada, pois foi um dia complicado, e chover seria bom pra relaxar.

Recordei-me de três episódios envolvendo chuva, os quais resumi para ela, em meio a sentimentos e emoções iguais as das épocas em que aconteceram.

O primeiro momento foi há muito, muito tempo; quase 10 anos. Eu tinha uns 14 anos, acho; talvez menos, talvez mais, isso pouco importa. Era uma daquelas tardes que mudam de repente, passando de ensolarado pra nublado num piscar de olhos; e eu estava na companhia de uma namorada, daquelas que, ao menos em meu tempo de moleque, rendia um namoro com resquícios de inocência e era "fofo" para os adultos.

A chuva veio sem avisar, como as grandes mudanças da vida, e nos abrigamos num espaço reduzido, onde era muito fácil se molhar, o que acabou acontecendo. E minha namorada tremeu de frio, batendo o queixo com extrema facilidade; eu também estava assim, talvez até pior que ela, pois tenho um problema com climas frios. Abracei-a, passando meu calor para ela, evitando que a chuva a molhasse ainda mais.

Bobo, eu sei, mas guardo com boas energias.

O segundo, um pouco mais pra frente, e ainda assim distante do agora, também envolve uma namorada e aquela mudança de clima. Outra personagem, outro lugar, outro Alex, mais maduro, e mais apaixonado do que aquele primeiro.

Voltávamos de um curso, já no final de tarde; eu, um jovem cheio de problemas; ela, uma namorada atenciosa e que me fazia bem. Lembro-me de naquele dia, assim como noutros, reclamar da blusa de crochê que ela usava, mas eu gostava daquela peça; minha cisma era por ciúme bobo, sabe, daquele tipo que temos mais por ter, pois se eu olhava aquele decote lindo que se formava, outro também o faria. Minha namorada sempre me dizia que eu ficava engraçado quando enciumado, e nunca fui de exageros; e usar aquela blusa era mais por me provocar do que por qualquer outra coisa.

Aí choveu! Chuva razoável. Abrigamo-nos num ponto bem protegido, mas me ocorreu uma daquelas ideias malucas; puxei-a para a chuva, falando de um sonho idiota, mas que eu queria realizar ali, naquele instante e com ela. Abracei-a e a beijei, a chuva caindo em nós, indiferente a tudo por segundos. Não nos molhamos muito, mas um resfriado nos visitou por alguns dias. Valeu a pena.

E o terceiro, bem, é ainda mais bobo que os dois primeiros.

Eu voltava de algum lugar de bicicleta; fugia de uma possível chuva, mas ela me achou na metade do percurso. Nunca na minha vida me molhei tanto como naquela tarde; não praguejei, não lamentei, e sim abri os braços, ainda pedalando, e gritei o mais alto que pude. Teve uma ou duas pessoas, presas em pontos ali e acolá, que me olharam; "um louco!", devem ter pensado. E eu me senti bem com a chuva pela última vez.

Em três momentos apenas, e nunca mais se repetiu ou nada semelhante ocorreu, a chuva, esta companheira que me deprime, foi capaz de me fazer sorrir, viver e lavar minha alma. Por isso entendi as razões de minha amiga, tão estressada, apreciar tanto suas dádivas.

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