O PseudoAutor

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Baiano nascido numa tarde de julho de 1991. Agnóstico e hipster, estudante de História, apaixonado por simbologias, mitologias e animais pré-históricos.

Escreve amadoramente desde 2007; após alguns anos e quase trinta livros rascunhados, Alec publicou uma coletânea de histórias curtas (Zarak, o Monstrinho, Multifoco, 2011), um conto numa antologia sobre répteis cuspidores de fogo (Dragões, Draco, 2013) e um romance autobiográfico fantástico (A Guerra dos Criativos, independente, 2013), além de algumas obras virtuais na Amazon.

Atualmente se divide em pesquisas para projetos literários e coordenação editorial de um selo independente.

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PseudoCrônica: Pilhas de Coisas

Estou com uma pilha de livros para ler. São livros de todos os tipos, sabe? E hoje chegou outro, que já está em algum canto ali, só me esperando. É impressionante como acumulo coisas pra ler com a mesma facilidade de quem acumula problemas. Se bem que também tenho problemas. Aliás, quem não os tem, né?

Fico pensando no que enfrentei nas últimas semanas... melhor, nos últimos meses. Sofri de ansiedade por respostas que até hoje não vieram; acabei jogando as perguntas numa pilha de perguntas que nem lembro mais... e quem sabe as esqueço. Sofri de medo de não conseguir pagar alguma conta no final do mês ou me atrapalhar na faculdade; acabei por trancar o curso, pois estava chato e pouco produtivo. Sofri com pesadelos que me sufocavam o peito e me faziam acordar quase gritando. Enfim, meses de amargura, tristeza e sofrimento.

No dia que Robin Williams morreu, estava eu discutindo eventos e projetos, indo numa pizzaria a lenha, conversando com um cronista e um escritor promissor, que sofre de males semelhantes aos meus; e foi bacana, sabe? Tudo bem que meu jeito meio arrogante e muito chato incomode, mas foi divertido. O fato é que eu sou fã do cara... e descubro que morreu. Pior: ele se matou possivelmente! E para alguém se matar, acredite, a vida deveria estar uma bosta sem fim!

Aí eu olho para as pilhas de coisas que deixei, que reneguei: amores que nunca vivi, sonhos que nunca realizei, perguntas que nunca fiz ou foram respondidas, pessoas que simplesmente deixei ir... são volumes sem fim, altas e sempre aumentando.

Aí eu olho a pequenina pilha de alegrias de agora; e alguém me vê animado e bem, coisa rara nesses meses que se passaram, e pergunta se estou apaixonado. Bem, acho que estou. Talvez ainda haja algo numa das diversas tralhas espalhadas ao meu redor que possa me completar; mas aí eu teria de garimpar, e não sei se faria isso. Apenas optei deixar ali, livre, sem pressão.

Não desejo mais as respostas para as perguntas que fiz. Tampouco faço castelos no ar nem sonho mais do que posso alcançar. E essa paixão, sabe, aquela dorzinha no peito, esta ainda guardo aqui, mas não tenho como me atentar a ela como antes. Eu sei que o tempo se encarregará de curar a ferida e trazer outra pessoa para causar uma nova. A vida é feita mais de cicatrizes do que se imagina.

Por ora, neste meu estado de alegria, apenas amo sem esperança, como disse o poeta, escrevo sobre as coisas que penso em silêncio, abraço forte a solidão e a convido para um bate-papo, enquanto me debruço sobre alguma pilha de livros. Tanto os que lerei quanto os que irei escrever.

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