O PseudoAutor

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Baiano nascido numa tarde de julho de 1991. Agnóstico e hipster, estudante de História, apaixonado por simbologias, mitologias e animais pré-históricos.

Escreve amadoramente desde 2007; após alguns anos e quase trinta livros rascunhados, Alec publicou uma coletânea de histórias curtas (Zarak, o Monstrinho, Multifoco, 2011), um conto numa antologia sobre répteis cuspidores de fogo (Dragões, Draco, 2013) e um romance autobiográfico fantástico (A Guerra dos Criativos, independente, 2013), além de algumas obras virtuais na Amazon.

Atualmente se divide em pesquisas para projetos literários e coordenação editorial de um selo independente.

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Sobre dias de verão, relacionamentos e outras besteiras

Todos conhecem esta história.


Mas (500) Days of Summer, de 2009, filme dirigido por Marc Webb, pega o caminho oposto ao entregar, já no início, duas coisas.

A primeira (e mais importante, na minha opinião)...


Então, esqueça aquelas bobagens de comédias românticas e aceite isso. Aceitando, assistirá a um dos poucos filmes mais fiéis com a realidade. E um dos mais lindos também.

O que nos leva ao segundo ponto, e pode ser considerado spoiler. Mas é bem provável que você, assim como eu, antes de assistir, já conheça o desfecho do filme.

Durante os quase 90 minutos de filme, a sensação de "Ei, isso já aconteceu comigo!" ou "Ei, um amigo meu passou por isso!" era frequente. E acho que este é o maior mérito de (500) Days of Summer, que foge daquelas besteiras de reviravoltas comuns em filmes do gênero. Porque o que o roteiro aqui apresenta é a dura verdade da vida, da maioria dos relacionamentos.

E há várias pegadinhas no caminho.

Muito se discute sobre Summer ser uma vadia, afinal ela recusou Tom, pois não queria nada sério, um namoro, não "queria ser algo de alguém", e termina o longa devidamente casada. Não, ela não é. Ela é uma personagem como várias garotas e mulheres por aí, com seus sentimentos, com seus momentos...

Certa vez, inclusive, uma garota disse que não queria nada comigo justamente porque queria se concentrar nos estudos e apenas depois disso, quando fosse o momento, pensaria em namoro. Oito meses depois, estava casada. Acontece. É a vida, é o risco de se arriscar.

Não é porque uma garota me dispensou que ela é uma vadia. Nem ela ter se relacionado com vários caras antes de mim, como já aconteceu. Não é ela querer minha amizade apenas, mesmo sabendo de meus sentimentos. Na verdade, ninguém pode rotular ou julgar alguém de vadia se baseando apenas num conceito ou preconceito formado.

Num determinado momento do filme, numa das várias jogadas visuais legais, a tela se divide em EXPECTATIVA e REALIDADE.


Quando uma diverge da outra, vem a frustração, a raiva...

Então Tom entende que acabou, que é preciso seguir em frente. E são assim os relacionamentos. E o filme outra vez deixa algo bem claro.


Términos nunca são fáceis. Assim como a continuação da vida.

Quando meu último namoro acabou, eu me senti anestesiado demais, assim como Tom. Numa das cenas mais engraçadas para mim, ele começa a ver o mundo com pessimismo e, ao ser chamado pelo chefe da empresa de cartões de mensagens em que trabalha, passa a ser responsável pela área de luto e condolências. E eu me senti assim todas as vezes.

E esta última foi uma das piores.

Assim como Tom, fiquei dias e dias revivendo os momentos passados, em busca de sinais de quando as coisas começaram a falhar, quando ela deixou de me amar. Fiquei pensando na frase que ela me disse quando iniciou um novo relacionamento, que o novo namorado a fazia se sentir bem e ela precisava disso.

Anos atrás, aconteceu algo similar.

O problema nunca foi a Summer. Ela sempre foi sincera com Tom. O problema foi a expectativa depositada e a realidade recebida. Cego demais, ele não notou momentos que revelavam que o relacionamento (que nunca foi um namoro, e sim uma amizade colorida, algo casual) não daria certo. A intimidade conquistada foi algo especial para ambos, mas para ela Tom era um grande amigo íntimo, com quem queria compartilhar das coisas que gostava.

Noutras palavras, Tom era o problema.

Eu era o problema.

Relacionamentos são delicados. Pessoas são complexas.

Mandar mensagens e ligar ininterruptamente não farão as coisas mudarem. Fazer escândalos muito menos.

É preciso aceitar que acabou, seguir a vida e aprender com os erros.

Quando Tom, que acreditava em destino, almas gêmeas e que a vida só seria feliz com alguém, compreendeu parte disso, de que não há destino, e sim acasos e pontos de vistas diferentes, que é preciso mudar para viver algumas coisas.


O filme não conta uma história de amor e superação, e sim conta uma das várias histórias que podem ter acontecido ou acontecem ou acontecerão no mundo.

No meu caso, o fim do último namoro me ensinou que é preciso controlar a expectativa e aceitar a realidade, que a depressão não é algo que as pessoas lidam bem... e pessoas buscam certezas e estabilidade em relacionamentos, coisas que não posso dar no momento. Porque hoje estou bem comigo mesmo, mas amanhã talvez não. E é preciso tratar, ou amargarei em mil e um outros relacionamentos, fazendo quem amo feliz.

Enfim, fica a dica de filme para quem está precisando rever alguns conceitos, distrair ou se emocionar com as "meras coincidências" presentes no decorrer dos minutos. É uma experiência fantástica, que nos mostra que boas histórias não precisam de muito para serem interessantes.

E fiquem com esta música, cuja letra combina muito com o filme. Foi um dos achados dos últimos dias, neste momento de reflexão em que vivo.

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